A Receita Federal deve ser vista sobretudo como ferramenta estratĂ©gica do Estado brasileiro, e nĂŁo sĂł como ĂłrgĂŁo de arrecadação e fiscalização. De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o grande volume de informaçÔes reunidas pelo Fisco pode orientar polĂticas pĂșblicas, aperfeiçoar mecanismos de controle e aumentar a eficiĂȘncia da atuação estatal.

Durigan participou, nesta quarta-feira (14), da abertura do 4Âș Congresso de Direito TributĂĄrio e Aduaneiro.
âVejo a Receita como plataforma de inteligĂȘncia do Estado brasileiro, mais do que um mero ĂłrgĂŁo que tem que coletar tributo.â
A avaliação do ministro tem por base quatro frentes relacionadas Ă Receita, destacadas em seu discurso:Â
- atuação como infraestrutura crĂtica do Estado;Â
- uso de dados para subsidiar polĂticas pĂșblicas;Â
- modernização da fiscalização por meio da anĂĄlise de informaçÔes agregadas;Â
- incorporação de inteligĂȘncia artificial.
“A Receita precisa contribuir mais para o desenho de polĂticas pĂșblicas”, acrescentou.
Segundo ele, as informaçÔes produzidas pelo órgão podem auxiliar Executivo, Legislativo, Judiciårio e órgãos de controle em tomadas de decisão.
Fiscalização
O ministro defendeu mudança de paradigma, com maior uso de dados para identificar padrĂ”es e anomalias. Como exemplo, citou o trabalho conjunto da Receita com a AgĂȘncia Nacional do PetrĂłleo, GĂĄs Natural e BiocombustĂveis (ANP), ao monitorar os efeitos da desoneração de combustĂveis.
“A fiscalização que nĂłs estamos pedindo Ă© uma fiscalização que olha para o dado agregado”, afirmou, ao destacar, nesse contexto, o potencial da inteligĂȘncia artificial.
De acordo com ele, o volume de dados que passarĂĄ a ser compartilhado entre UniĂŁo, estados e municĂpios, com a implementação da reforma tributĂĄria, ampliarĂĄ significativamente a capacidade analĂtica da Receita.
Carbono Oculto
Como exemplo das possibilidades abertas por esse modelo, o ministro citou a Operação Carbono Oculto, investigação que apura estruturas de lavagem de dinheiro usadas para ocultar os reais controladores de empresas ligadas ao setor de combustĂveis, incluindo a aquisição de uma das maiores distribuidoras do paĂs.Â
Em uma das fases da operação, foram identificadas movimentaçÔes de cerca de R$ 11 bilhÔes por diferentes camadas da estrutura investigada.
A investigação revelou o uso de fintechs e de pelo menos 40 fundos de investimento para ocultação patrimonial e blindagem de recursos, dificultando a identificação dos reais controladores dos ativos e da origem do dinheiro utilizado nas operaçÔes.
Metodologia
Mais do que os resultados da operação, Durigan destacou o método empregado. Para ele, a anålise de grandes bases de dados permite identificar estruturas que fogem aos padrÔes comuns do mercado e direcionar investigaçÔes de forma mais eficiente.
Durigan mencionou tambĂ©m, com base em uma apresentação feita pela equipe da Receita, estruturas associadas Ă Reag e ao Banco Master como exemplos de casos que chamaram a atenção por apresentarem caracterĂsticas atĂpicas.
Para o ministro, a combinação entre anĂĄlise de dados, integração de informaçÔes e inteligĂȘncia artificial pode ampliar a capacidade do Estado de formular polĂticas pĂșblicas e aperfeiçoar a fiscalização.
“A Receita Federal pode mudar o patamar de funcionamento do Estado brasileiro para um patamar de um Estado eficiente e inteligente.”




