A infraestrutura de transportes vai além da conexão entre cidades e regiões. Seus efeitos alcançam comunidades, influenciam as economias locais e impactam o meio ambiente. Nesse contexto, como assegurar que o desenvolvimento da infraestrutura seja acompanhado de uma atuação responsável diante de seus impactos sociais e ambientais? Essa foi a reflexão central do evento Territórios que Transformam, promovido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), nesta terça-feira (20/10), em Brasília.
O encontro reuniu representantes da Agência e do setor regulado para compartilhar experiências e discutir como integrar a da sustentabilidade e da responsabilidade social à operação de rodovias e ferrovias.
Oito concessionárias tiveram projetos selecionados para apresentação em três painéis temáticos: desenvolvimento territorial e justiça social; economia circular; e diversidade, equidade e inclusão.
A iniciativa integra a agenda de sustentabilidade da ANTT e reforça o papel da regulação na promoção de uma infraestrutura que considere não apenas a eficiência logística e operacional, mas também a prevenção e a mitigação de impactos, o respeito aos direitos das comunidades e a construção de relações responsáveis com os territórios.
Sustentabilidade na prática
Na abertura, o diretor da ANTT Alex Azevedo destacou iniciativas que aproximam a infraestrutura das necessidades da população. Entre os exemplos, citou o Corredor Verde do Paraná, uma experiência de concessionária em Minas Gerais voltada à segurança viária em escolas públicas e o potencial da conectividade rodoviária para beneficiar comunidades, unidades de saúde e propriedades rurais próximas às vias.
Alex também ressaltou a importância da governança, com foco na ética, na transparência e no respeito à sociedade. Segundo o diretor, os benefícios da infraestrutura devem alcançar não apenas os usuários das rodovias, mas também as populações que dependem das condições de acesso, segurança e conectividade dos territórios.
Regulação e responsabilidade social
A superintendente de Sustentabilidade, Pessoas e Inovação da ANTT, Cynthia Ruas, destacou a necessidade de ampliar a compreensão sobre os efeitos da infraestrutura na vida das pessoas. Nesse contexto, a regulação deve estimular iniciativas que deixem contribuições positivas para as comunidades, conciliando o desenvolvimento dos transportes com a responsabilidade socioambiental.
Cynthia também valorizou a participação das concessionárias e a troca de experiências também contribuem para disseminar práticas responsáveis e fortalecer a incorporação da sustentabilidade às atividades cotidianas do setor regulado.
Essa agenda envolve desafios como a prevenção de impactos socioambientais, a proteção da biodiversidade, a adaptação às mudanças climáticas e o relacionamento com as comunidades afetadas pelos empreendimentos.
Entre os instrumentos adotados pela ANTT está o Programa de Sustentabilidade para Infraestrutura (PSI), instituído pela Resolução nº 6.057/2024. O programa estabelece parâmetros para avaliar práticas sustentáveis nas rodovias e ferrovias federais reguladas pela Agência, acompanhar a evolução das concessionárias e incentivar melhorias contínuas.
Desenvolvimento territorial: a infraestrutura além da passagem
O primeiro painel, “O território não é só passagem”, discutiu como rodovias e ferrovias podem contribuir para a geração de emprego e renda, o empreendedorismo local e o fortalecimento das comunidades.
Participaram a especialista em ESG, desenvolvimento territorial e direitos humanos da Ecorodovias, Jaqueline Reis; a analista de Meio Ambiente da Motiva Costeira, Ana Carolina Alves Diniz Ariete; e a analista de Territórios da Estrada de Ferro Carajás (EFC), Suzana Maria Costa Ericeira. A mediação foi conduzida pelo especialista em Regulação da ANTT, Silvio Barbosa.
O debate destacou a importância de compreender as características econômicas e sociais de cada território.
A discussão também evidenciou a relevância de estabelecer relações responsáveis com as comunidades, considerando suas necessidades, potencialidades e participação nos processos relacionados à infraestrutura.
Economia circular: eficiência e geração de valor
O segundo painel, “Do resíduo ao recurso”, abordou a economia circular como estratégia para reduzir impactos ambientais, aproveitar materiais e estimular cadeias produtivas sustentáveis.
O debate contou com o coordenador de Relacionamento Institucional da MRS, Lucas Fernandes; o coordenador Socioambiental da Via Cristais, Marco Aurélio Schneider Ristow; o gerente de Gente, Gestão e Cultura da Bioenergética Aroeira, Danilo Santos; e a coordenadora de Relações Governamentais e Políticas Públicas da eureciclo, Luana Carasek. A mediação ficou a cargo da especialista em Governança e Gestão Sustentável, Adriana Moreira Tostes Ribeiro.
Entre os temas discutidos estiveram o reaproveitamento de materiais, a logística reversa e a inovação, com foco em transformar resíduos em oportunidades de geração de valor econômico, trabalho e renda. Essas práticas demonstram como a responsabilidade socioambiental pode contribuir para a eficiência das operações e para o fortalecimento de iniciativas sustentáveis nos territórios.
Diversidade e inclusão na agenda de sustentabilidade
O terceiro painel “A diversidade como recurso, a inclusão e a equidade como valores”, abordou iniciativas voltadas à diversidade, equidade e inclusão, destacando a importância de ampliar a participação de diferentes grupos e o acesso às oportunidades econômicas e sociais.
Participaram o especialista de Diversidade, Equidade e Inclusão da Motiva, Angelo Celdon de Sordi Junior; a consultora de Diversidade e Inclusão da MRS, Juliana Carlos; e a gerente-geral de Sustentabilidade e Comunicação da VLI, Danny Marchesi de Almeida. A mediação foi realizada pela coordenadora-geral de Políticas e Ações Estratégicas do Ministério da Igualdade Racial, Mariana Barroso.
A discussão reforçou que o desenvolvimento sustentável também depende do reconhecimento das diferentes realidades sociais, enfrentar barreiras de participação e promover ambientes e oportunidades mais inclusivas das pessoas que vivem e trabalham nos territórios atendidos pela infraestrutura.
Ao reunir experiências do setor regulado, a ANTT fortalece o diálogo sobre a incorporação da sustentabilidade e da responsabilidade social à regulação e à gestão da infraestrutura de transportes.
A iniciativa reforça a importância de uma atuação que vá além da eficiência operacional, considerando os impactos socioambientais dos empreendimentos, o diálogo com os territórios e a adoção de práticas responsáveis. O desafio é conciliar o desenvolvimento da infraestrutura com o respeito às pessoas e ao meio ambiente, estimulando resultados duradouros e contribuindo para um desenvolvimento territorial mais inclusivo e sustentável.
Gerência de Comunicação Social – ANTT
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