Quando vocĂȘ aprendeu completamente o que Marshall e YLFA estĂŁo fazendo, quem e o que sĂŁo, o navio estĂĄ no planeta, e Mickey morreu – 16 vezes, para ser exato – em seu papel como o “dispensĂĄvel” do navio. Usado para testar vĂrus e outras ameaças, Mickey passa por testes brutais e acaba morrendo no trabalho apenas para ser reimpresso em forma externamente idĂȘntica. Como em qualquer atualização de software, existem bugs, juntamente com acidentes de rotina. Quando o filme abre, o Mickey 17 acaba de mergulhar em uma fenda planeta. Timo, que estĂĄ fechando nas proximidades, nĂŁo estĂĄ interessado em resgatar Mickey, que Ă©, afinal, descartĂĄvel. Tudo o que Timo quer saber Ă©: como Ă© morrer?
Ă uma pergunta que outras pessoas do navio gostam de perguntar a Mickey, o que aumenta a melancolia que paira sobre este filme, mesmo durante seus momentos mais bount e mais carnavalescos. Como ele faz, Bong demora um pouco para mostrar completamente sua mĂŁo. Em vez disso, trabalhando rapidamente, ele apresenta esse futuro com um toque visual caracterĂstico, flashes de beleza, espasmos de violĂȘncia comprovada cĂŽmica e um calor palpĂĄvel que atenua as mais abjetas. Ele tambĂ©m dĂĄ a Mickey um romance a bordo com Nasha (uma adorĂĄvel Naomi Ackie), um agente de segurança que se torna seu protetor, um caso que aquece a histĂłria. Nasha Ă© normal, justa e verdadeira, e ela ajuda a humanizar Mickey. Bong geralmente interpreta a morte de Mickey por risadas, mas ele quer que vocĂȘ as sinta.
E vocĂȘ os sente, Ă s vezes profundamente, em meio aos flashbacks, pratfalls, ediçÔes peppy, camerawork itinerante e as imagens de uma apĂłs a outra, Mickey sendo despejada como lixo. Essas cenas podem ser justamente sombrias, mas tĂȘm um chute no mal -humorado por causa da leveza do toque de Bong e do fatalismo improvisado de Mickey. Um dos pontos fortes de Bong Ă© que ele Ă© Ăłtimo com os atores, e o trabalho que ele e Pattinson fazem com a voz do personagem e a fisicalidade de palhaço silencioso Ă© crucial para fazer a expansĂŁo tonal do filme. Os mickeys vĂŁo e vĂȘm, mas o que vocĂȘ conhece melhor Ă© o nĂșmero 17. Ele tem um lamento nasal distinto (tons de Adam Sandler) que, Ă medida que o humor dĂĄ lugar Ă angĂșstia, se torna um apelo Ă decĂȘncia.
Mickey Ă© tĂŁo gentil e aparentemente desamparado que Ă© fĂĄcil estar do seu lado, mas parte do que o torna solidĂĄrio Ă© que seu infortĂșnio nĂŁo Ă© uma questĂŁo de apenas predisposição ou predestinação, da maneira que costuma ser nos filmes americanos. Mickey tende a cometer erros e nĂŁo leu toda a papelada quando ingressou na expedição, mas, realmente, quem lĂȘ as letras pequenas? Ele estava desesperado, devia dinheiro e precisava fazer uma saĂda rĂĄpida. Assim, juntamente com outros candidatos angustiados, ele encontrou uma solução em uma economia de mercado na qual tudo, incluindo a vida incluiu, tem um preço. Nesse caso, o custo Ă© um trabalho perigoso e explorador, que Ă© o equivalente a, por exemplo, massacrar porcos agricultados na fĂĄbrica em um matadouro. Exceto que Mickey Ă© o porco.




