Governo prevĂȘ decreto do fim da escala 6×1 para segunda-feira


O decreto que regulamentarĂĄ o fim da escala de trabalho 6×1 deve sair na prĂłxima segunda-feira (9), disse nesta quarta-feira (4) o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.

O texto estabelecerĂĄ diretrizes para a organização das jornadas e garantir pelo menos oito folgas por mĂȘs aos trabalhadores.

Seguindo Marinho, o decreto serå discutido com o presidente Luiz Inåcio Lula da Silva nesta quinta-feira (5) e deverå orientar a implementação das novas regras por meio de negociaçÔes coletivas.

A regulamentação também deverå permitir flexibilidade na organização das escalas, desde que sejam respeitados os direitos previstos na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extinguiu o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso.

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Decreto

Segundo Marinho, o decreto terå como objetivo coordenar a adoção das diferentes escalas de trabalho nos setores econÎmicos, sem comprometer os direitos dos empregados nem o funcionamento das empresas.

“Soltaremos o decreto regulamentador para trazer o processo coordenado para a implantação das várias escalas que cada setor pretende implantar, sempre respeitando o comando da PEC”, afirmou o ministro.

A publicação, inicialmente prevista para esta semana, foi adiada após Lula não conseguir realizar o despacho sobre o tema. A expectativa do Ministério do Trabalho é concluir a regulamentação na próxima segunda-feira.

Folgas e negociação

A proposta prevĂȘ que os trabalhadores tenham, no mĂ­nimo, oito folgas em um perĂ­odo de 30 dias. A distribuição dos descansos poderĂĄ variar conforme as caracterĂ­sticas de cada atividade, desde que respeitadas as condiçÔes estabelecidas pela PEC e pelos acordos coletivos.

Marinho explicou que a flexibilização poderå permitir diferentes combinaçÔes de jornadas semanais, conforme as necessidades de cada setor.

“NĂŁo tem lista de flexibilidade. A PEC determina dois descansos semanais. A flexibilidade concedida Ă© que essas duas folgas estejam consolidadas dentro do mĂȘs”, declarou.

O ministro destacou que os acordos coletivos terão papel central na organização das escalas. A prioridade, segundo ele, serå a negociação entre empresas e representantes dos trabalhadores, com possibilidade de convençÔes nacionais que facilitem a adesão dos diferentes estados.

A regulamentação tambĂ©m deverĂĄ contemplar setores que funcionam continuamente, como atividades de saĂșde, transporte, segurança e limpeza urbana.

Redução da jornada

A proposta de mudança na jornada de trabalho prevĂȘ a redução gradual da carga horĂĄria semanal, atualmente de 44 horas, para 40 horas.

De acordo com as informaçÔes divulgadas pelo governo, a implementação deverå ocorrer a partir de 15 de dezembro, respeitando as condiçÔes estabelecidas na regulamentação.

O Congresso Nacional promulgou, em 16 de outubro, a PEC que extingue a escala 6×1 e estabelece uma jornada de cinco dias de trabalho para dois de descanso.

Marinho afirmou que o objetivo do governo é garantir a proteção dos trabalhadores durante a transição, sem prejudicar a atividade econÎmica.

CrĂ­ticas ao mercado

Durante a entrevista coletiva em que apresentou os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o ministro também criticou a reação do mercado financeiro às discussÔes sobre propostas alternativas para a política econÎmica.

A manifestação ocorreu após questionamentos sobre as ideias do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, que defende mudanças na condução das políticas fiscal e monetåria.

Marinho afirmou que o presidente Lula deve ter liberdade para ouvir diferentes contribuiçÔes, mesmo quando elas divergem das posiçÔes defendidas por agentes financeiros.

“O que eu acho um absurdo Ă© que qualquer tentativa de discussĂŁo que nĂŁo esteja no quadradinho do chamado mercado da Faria Lima hĂĄ uma grita contra”, declarou.

O ministro tambĂ©m criticou a resistĂȘncia do mercado Ă  discussĂŁo de alternativas para a taxa bĂĄsica de juros e defendeu que diferentes propostas sejam avaliadas pelo governo.

“É um absurdo o comportamento do tal mercado, da tal da bolsa. Isso tudo para levar a um nervosismo. Não pode escutar as pessoas? É um tremendo de um comportamento inadequado”, afirmou.

Marinho acrescentou que os juros elevados representam um obstĂĄculo para o Estado, as empresas e a sociedade.

“O que Ă© inaceitĂĄvel Ă© continuar no patamar de juros que nĂłs pagamos, isso Ă© ruim para o Estado brasileiro, ruim para as empresas e a sociedade no geral”, concluiu.



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