A ArticulaĂ§Ă£o dos Povos IndĂgenas do Brasil (Apib) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de uma AĂ§Ă£o Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7778), para contestar uma lei estadual recente do ParĂ¡ que alterou aspectos referentes Ă carreira de professores da rede estadual de ensino. A avaliaĂ§Ă£o da Apib Ă© a de que a incorporaĂ§Ă£o do modelo online em certas regiões pode fazer com que alunos indĂgenas deixem de continuar os estudos.

A ADI foi encaminhada Ă ministra CĂ¡rmen LĂºcia. Conforme a Corte esclarece em nota, o que a entidade de defesa dos povos originĂ¡rios denuncia Ă© que hĂ¡ uma ruptura com a polĂtica de educaĂ§Ă£o que antes garantia o acesso em lugares onde nĂ£o hĂ¡ ensino regular e tambĂ©m a presença de educadores em comunidades indĂgenas e tradicionais.Â
“A associaĂ§Ă£o afirma que, com essa revogaĂ§Ă£o, o chamado Sistema Modular de Ensino IndĂgena desapareceu da legislaĂ§Ă£o estadual, provocando um cenĂ¡rio de insegurança jurĂdica. O pedido liminar Ă© para que sejam afastadas interpretações da lei que nĂ£o incluam a educaĂ§Ă£o indĂgena e suas especificidades”, acrescenta o STF na nota.Â
A AgĂªncia Brasil procurou a Secretaria Estadual de EducaĂ§Ă£o, mas atĂ© o fechamento desta matĂ©ria o Ă³rgĂ£o nĂ£o se manifestou.
Protestos
Na segunda-feira (20), o MinistĂ©rio PĂºblico Federal (MPF) fez um apelo Ă Justiça Federal para que extinga o processo judicial em que o governo do ParĂ¡ pede a reintegraĂ§Ă£o de posse do prĂ©dio da Secretaria de EducaĂ§Ă£o (Seduc), em BelĂ©m. O local estĂ¡ ocupado desde o dia 14 por professores da rede pĂºblica, que se mobilizam contra legislações que prejudicam a carreira e as condições de trabalho, e por indĂgenas, que, por uma deliberaĂ§Ă£o recente, nĂ£o teriam mais como assistir a aulas presenciais.
O MPF tambĂ©m demandou do MinistĂ©rio da EducaĂ§Ă£o (MEC) um posicionamento sobre as denĂºncias das lideranças indĂgenas.Â
De acordo com o Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores em EducaĂ§Ă£o PĂºblica do Estado do ParĂ¡ (Sintepp), mais de 100 lideranças indĂgenas ocupam a sede da Seduc desde o inĂcio da mobilizaĂ§Ă£o.
Uma assembleia de professores realizada no dia 16 de janeiro aprovou greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (23).
Pleitos dos professores
Entre os educadores, existe preocupaĂ§Ă£o com definições como a anulaĂ§Ă£o da progressĂ£o automĂ¡tica, mecanismo que garante incrementos regulares no salĂ¡rio, e o fim da classe especial, que Ă© a de professores do nĂvel mĂ©dio. Outra questĂ£o que motivou a articulaĂ§Ă£o dos trabalhadores e trabalhadoras Ă© a retirada de representantes do Sintepp na ComissĂ£o Permanente de AvaliaĂ§Ă£o, o que acabaria conferindo ao titular da pasta de EducaĂ§Ă£o, Rossieli Soares, mais poder decisĂ³rio.
O Sintepp se reuniu, no Ăºltimo dia 6, com representantes do governo paraense, que justificou a aprovaĂ§Ă£o da lei como um modo de unificar as legislações que abordam as vantagens a aspectos da carreira do magistĂ©rio.
“O episĂ³dio de truculĂªncia sofrida por nossa categoria na aprovaĂ§Ă£o da lei e a completa falta de diĂ¡logo do governo conosco demonstraram enorme desprezo pelo necessĂ¡rio debate democrĂ¡tico, bem como ignoram as contribuições feitas aos debates por nossa entidade”, escreveu, em informe, o Sintepp, que tambĂ©m fala em corte orçamentĂ¡rio e desmonte.
TambĂ©m pedimos o posicionamento da Secretaria de EducaĂ§Ă£o sobre essas crĂticas, mas ainda nĂ£o obtivemos retorno.




