O certo é que o caldeirão preto pretendia ser um tipo diferente de filme da Disney. “Ron Miller, ex-CEO da empresa e genro da Walt Disney, queria que o filme fosse uma partida”, disse Neil O’Brien, autor de After Disney: Toil, Trouble, e a transformação da empresa de mídia favorita da América, à BBC. “Ele queria que ele atraísse um público adolescente e jovem e deliberadamente, certificando-se de que não havia músicas no filme que pudessem desligar o público adolescente”.
O caldeirão preto também teve uma classificação PG, a primeira para a Disney. “Isso é padrão agora, mas foi muito progressivo nesse sentido, empurrando limites para onde a animação poderia estar”, disse Mindy Johnson, autor de Ink & Paint: The Women of Walt Disney’s Animation, à BBC. “Parece surpreendentemente sombrio. A cena nascida no caldeirão é provavelmente mais macabra do que qualquer coisa que eles fizeram no passado”, disse Sam Summers, professor de animação na Universidade de Middlesex, à BBC.
Confrontos no estúdio
Mas as coisas estavam ficando escuras nos bastidores também. Uma nova geração de graduados do Instituto de Artes da Califórnia, ou Calarts, como Brad Bird e John Lasseter (que mais tarde se tornou forças motrizes na Pixar, dirigindo os Incríveis e Toy Story, respectivamente), queria trazer uma estética nova ao estúdio. Mas isso levou a confrontos com a velha guarda, que desejava manter o status quo. “Havia muitas facções concorrentes quando o Caldeirão estava em andamento”, diz O’Brien. O clima no estúdio mudou de altamente otimista para preocupado.
AlamyBaseado em uma série de cinco livros da década de 1960, The Chronicles of Prydain, de Lloyd Alexander, adaptar o caldeirão preto era um feito imponente. “Foi uma narrativa épica, e houve desafios que diminuíram isso em anos de desenvolvimento”, diz Johnson. Foi também o primeiro filme a implementar a animação por computador, incluindo efeitos do caldeirão e uma esfera mágica. E foi o primeiro filme da Disney desde a beleza adormecida de 1959 a estar em 70 mm, o que significava que os animadores tinham telas maiores e mais caras para animar. Eles brincaram com tecnologia complicada e cara, como um sistema de holograma para os cinemas para dar vida aos que nascem do caldeirão.





