O MinistĂ©rio PĂșblico Federal (MPF) e as Defensorias PĂșblicas da UniĂŁo (DPU) e do estado do Rio de Janeiro (DPRJ) encaminharam ao governo do Rio de Janeiro e Ă prefeitura da capital fluminense um pedido para que adotem recomendaçÔes urgentes de enfrentamento Ă onda de calor dos Ășltimos dias.

O ofĂcio assinado na noite de sexta-feira (26) trata de âadoção de providĂȘncias urgentes, coordenadas e intersetoriais de proteção dos grupos vulnerabilizados diante de cenĂĄrios de calor extremoâ.
O documento foi enviado ao governador ClĂĄudio Castro, ao prefeito Eduardo Paes e secretĂĄrios, como os da pasta da SaĂșde, tanto na esfera municipal quanto estadual.
O ofĂcio aponta que as elevadas temperaturas configuram cenĂĄrio de risco Ă saĂșde e Ă integridade fĂsica da população, âespecialmente dos grupos em maior vulnerabilidade social e clĂnicaâ.
Entre os impactos Ă saĂșde, os ĂłrgĂŁos citam âdesidratação, exacerbação de doenças crĂŽnicas, insolação, exaustĂŁo tĂ©rmica e, em casos extremos, o golpe de calor (heatstroke), que apresenta elevada taxa de mortalidadeâ.
MPF e as Defensorias destacam que os efeitos do calor extremo sĂŁo sentidos de forma desigual, âafetando desproporcionalmente populaçÔes historicamente marginalizadas e em situação de vulnerabilidade socialâ.
Onda de calor
Desde a tarde da vĂ©spera de Natal (24), a cidade do Rio de Janeiro estĂĄ no estĂĄgio 3 de calor, em uma escala que vai atĂ© 5. No nĂvel 3, hĂĄ registro de Ăndices de calor alto (36°C a 40°C), com previsĂŁo de permanĂȘncia ou aumento por, ao menos, trĂȘs dias seguidos.
No dia 25, os termĂŽmetros marcaram 40,1°C, recorde do mĂȘs. Para este sĂĄbado (27), a previsĂŁo do Alerta Rio, sistema de meteorologia da prefeitura do Rio de Janeiro, Ă© temperatura mĂĄxima em 38°C.
No domingo (28) deve chegar a 40°C. AlĂvio com chuva sĂł a partir de segunda-feira (29), mas ainda com temperatura perto de 40°C.
O calor excessivo tem levado centenas de pessoas Ă s unidades de saĂșde. De acordo com a Secretaria Municipal de SaĂșde do Rio, a rede de urgĂȘncia registrou mĂ©dia de 450 atendimentos por dia.
Os casos mais comuns possivelmente relacionados ao calor são tontura, fraqueza e desmaios, além de queimaduras solares.
No Ăąmbito estadual, o governo alertou todos os 92 municĂpios para os perigos do calor excessivo.
O tempo quente dĂĄ as caras tambĂ©m em grande parte do Brasil. A explicação estĂĄ em um bloqueio atmosfĂ©rico.Â
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho para onda de calor que atinge partes das regiÔes Sudeste, Sul e Centro-Oeste.
Grupos vulnerĂĄveis
No ofĂcio enviado ao estado e a prefeitura do Rio, o MPF e a Defensoria apontam os seguintes grupos de risco:
- crianças, especialmente lactentes, recém-nascidos e prematuros;
- idosos acima de 65 anos;
- gestantes e lactantes;
- pessoas de doenças crĂŽnicas e com deficiĂȘncia;
- trabalhadores ao ar livre e desportistas;
- indivĂduos com restrição de mobilidade e acamados;
- população em situação de rua.
População de rua
Especificamente sobre população em situação de rua, o comunicado cita que um protocolo municipal reconhece que a condição clĂnica Ă© agravada pela vulnerabilidade social, uma vez que:
- estão mais expostas ao calor extremo devido ao menor acesso a ambientes refrigerados e à proteção solar;
- sujeitas a elevada carga de morbidade por diversas condiçÔes clĂnicas determinadas socialmente;
- menor acesso a ĂĄgua potĂĄvel e resfriada, bem como a alimentos adequados.
O MPF, DPU e DPRJ lembram que o prĂłprio protocolo municipal orienta medidas como:
- ativação de centros de hidratação nas unidades de Atenção PrimĂĄria Ă SaĂșde;
- designação de pontos de resfriamento em locais com ar-condicionado ou refrigeração, com divulgação à população;
- ampliação da oferta de estaçÔes de hidratação ou distribuição de ågua nos
- locais de acolhimento das populaçÔes mais vulneråveis;
- possibilidade de ampliação dos horårios de funcionamento dos locais
- pĂșblicos com ar-condicionado, refrigeração ou ĂĄreas sombreadas.
Recomendação e prazo
Entre as recomendaçÔes ao estado estĂŁo o preparo do Corpo de Bombeiros para o resgate de pessoas e garantia da disponibilidade de leitos e capacidade de atendimento na rede de saĂșde.
O MPF e as Defensorias cobram que municĂpio e estado informem, dentro de 24 horas, medidas concretas deflagradas, com âindicação precisaâ de:
- pontos de resfriamento ativados, com endereços e horårios de funcionamento;
- locais e horårios de distribuição de ågua e hidratação;
- unidades de saĂșde atuando como centros de hidratação;
- fluxos de atendimento e encaminhamento ativados;
- operaçÔes de resgate e atendimento pré-hospitalar realizadas.
Procurada pela AgĂȘncia Brasil, a Secretaria Municipal de SaĂșde informou que “a prefeitura do Rio foi a primeira e uma das Ășnicas cidades do paĂs a ter um protocolo de proteção para o calor extremo, e obviamente seguirĂĄ o protocolo publicado”.Â
“A recomendação para todo o estado deve ser avaliada por cada cidade, nĂŁo cabendo Ă Secretaria Municipal de SaĂșde do Rio comentar”, completa a nota.Â
A AgĂȘncia Brasil pediu posicionamento ao governo do estado e estĂĄ aberta a manifestaçÔes.




