O ministro FlÔvio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu nesta quinta-feira (15) a destinação de emendas parlamentares a entidades do terceiro setor que tenham na direção parentes do congressista responsÔvel pela indicação da verba pública. 

Pela decisĆ£o, a proibição alcanƧa tambĆ©m parentes dos assessores parlamentares do responsĆ”vel pela emenda. A vedação alcanƧa ainda outros tipos de pessoas jurĆdicas, como empresas que tenham entre os sócios ou dirigentes familiares ou cĆ“njuges de congressistas, prestadores de serviƧo e fornecedores.Ā
āCom efeito, nĆ£o se revela compatĆvel com o regime republicano que parlamentar possa destinar emendas a entidades vinculadas a familiares, direta ou indiretamente, transformando recursos pĆŗblicos em moeda de afeto, conveniĆŖncia ou lealdade pessoal, para nĆ£o mencionar hipóteses de escancarado peculatoā, escreveu Dino.Ā
Tal prĆ”tica ādesnatura por completo a finalidade constitucional das emendas, como tambĆ©m esvazia a impessoalidade, degrada a legitimidade da despesa e alimenta a desconfianƧa da sociedade nas instituiƧƵes democrĆ”ticasā, acrescentou o ministro. Ele afirmou ainda que a medida visa impedir a prĆ”tica de nepotismo e de improbidade administrativa.Ā
No inĆcio da decisĆ£o, o ministro citou levantamento publicado na quarta-feira (14) pelo jornal O Globo, segundo o qual as emendas destinadas a OrganizaƧƵes NĆ£o Governamentais (ONGs) chegaram a R$ 3,5 bilhƵes na atual legislatura, 410% a mais do destinado em toda a legislatura anterior, entre 2019 e 2022. O valor Ć© tambĆ©m mais que o triplo das emendas destinadas a estados e o Distrito Federal.Ā
Após citar esse aumento, Dino afirmou que āavolumam-se indĆcios graves de malversação de verbas pĆŗblicas, com a destinação de recursos para a satisfação de interesses privadosā. O ministro lembrou que jĆ” havia bloqueado os repasses a ONGs sem sede comprovada.
Dino Ć© relator de diferentes aƧƵes de descumprimento de preceito fundamental (ADPFs) que tratam da constitucionalidade na liberação de emendas parlamentares. Desde 2022, o Supremo vem impondo uma sĆ©rie de medidas para assegurar a transparĆŖncia e a rastreabilidade dos recursos pĆŗblicos.Ā
Em paralelo, tramitam em diferentes gabinetes diversos casos sobre suspeitas de desvios em emendas parlamentares.Ā
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