Acnur lança apelo de US$ 1,6 bilhão para socorrer refugiados sudaneses


A guerra no Sudão continua a gerar deslocações em massa e a agravar aquela que já é considerada a maior crise humanitária e de deslocamento do mundo.

A declaração é do diretor regional para África Oriental e Austral da Agência da ONU para Refugiados, Acnur. Mamadou Dian Balde, afirmou  que milhares de pessoas continuam a atravessar fronteiras semanalmente, muitas vezes chegando a regiões já vulneráveis, onde os serviços públicos e as oportunidades económicas eram limitados mesmo antes do início do conflito.

Cerca de 470 mil novos refugiados em 2026

Segundo o Acnur, o Plano Regional de Resposta aos Refugiados do Sudão 2026, Rrrp, continuará a priorizar apoio a cerca de 470 mil novos refugiados esperados nos países vizinhos ao longo deste ano.

O plano também inclui assistência para milhares de pessoas que permanecem em áreas fronteiriças, onde têm recebido apenas apoio básico desde a sua chegada.

A agência sublinhou que a necessidade de um quarto apelo anual desta dimensão evidencia o impacto persistente do conflito e a dificuldade crescente da resposta humanitária em acompanhar o ritmo das necessidades.

Pessoas que fugiram dos combates em El Fasher e arredores aguardam assistência em Tawila, no estado de Darfur do Norte, no Sudão

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Acesso humanitário limitado

O Acnur indicou que, quase três anos após o início da guerra, o Sudão continua a ser palco de combates em várias regiões, com serviços essenciais colapsados e acesso humanitário restrito em muitas áreas.

A agência descreveu a crise como ocorrendo num contexto de forte pressão global sobre o financiamento humanitário, das últimas décadas.

Egito fecha centros de chegada

De acordo com o Acnur, o Egito tornou-se o país que acolhe o maior número de pessoas a fugir do Sudão, com a chegada de refugiados quase a quadruplicar desde 2023.

No entanto, cortes significativos no financiamento obrigaram o Acnur a encerrar dois dos três centros de registo no país, afetando o acesso dos refugiados a serviços críticos de proteção.

O financiamento disponível por refugiado caiu para 4 dólares por mês em 2025, comparado com 11 dólares em 2022, segundo a agência.

Chade e Uganda têm falhas graves em abrigo e saúde

No leste do Chade, mais de 71 mil famílias refugiadas ainda não receberam apoio habitacional, permanecendo sem abrigo seguro e adequado. A agência acrescentou que cerca de 234 mil pessoas aguardam relocalização e vivem em condições precárias na fronteira.

Já no assentamento de Kiryandongo, Uganda, o encerramento de clínicas e a suspensão de programas essenciais de nutrição aumentaram o risco de doenças para milhares de refugiados sudaneses.

Mais da metade da população do Sudão do Sul sofre de insegurança alimentar aguda

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Ajuda imediata e aposta em soluções

Apesar das limitações financeiras, o Acnur afirmou que o apelo regional de 2026 continuará a apoiar países anfitriões com serviços essenciais, incluindo alimentação, abrigo, cuidados de saúde e proteção para recém-chegados e para os refugiados mais vulneráveis.

O plano também dá prioridade a soluções de médio e longo prazos, como a inclusão de refugiados em sistemas nacionais, expansão do acesso à documentação e serviços públicos, e promoção da autossuficiência através de parcerias com atores de desenvolvimento e o setor privado.

O Acnur destacou ainda a intenção de investir em assentamentos mais adaptáveis, como no Chade e na Etiópia, com o objetivo de permitir comunidades mais seguras e estáveis para refugiados e populações anfitriãs.

Aumento das necessidades e redução de recursos 

A agência da ONU alertou que a crescente diferença entre necessidades em expansão e recursos em queda ameaça comprometer tanto a resposta de emergência como soluções sustentáveis.

Sem uma perspectiva clara de paz e com apoio internacional em declínio, a agência afirmou que mais refugiados estão a perder esperança e a optar por seguir viagem.

No ano passado, o número de refugiados sudaneses que fizeram a perigosa travessia rumo à Europa quase triplicou.

O Acnur reitera  concluiu o apelo por maior apoio internacional e por medidas para enfrentar o subfinanciamento persistente das operações humanitárias nos países que acolhem pessoas que fogem do Sudão, sublinhando que a resposta continua a depender de financiamento urgente enquanto não houver uma solução política duradoura para o conflito.



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