A UniĂŁo pagou R$ 257,73 milhões em dĂvidas atrasadas de estados e municĂpios em janeiro deste ano, segundo o RelatĂłrio de Garantias Honradas pela UniĂŁo em Operações de CrĂ©dito e Recuperação de Contragarantias, divulgado nesta quinta-feira (19) pelo Tesouro Nacional. Em 2025, o valor chegou a R$ 11,08 bilhões de dĂvidas de entes federados honradas pela UniĂŁo.

Do total pago no mĂŞs passado, R$ 84,32 milhões sĂŁo dĂ©bitos nĂŁo quitados pelo estado do Rio Grande do Norte; R$ 82,34 milhões do Rio de Janeiro; R$ 70,55 milhões do Rio Grande do Sul; R$ 19,55 milhões do Amapá; R$ 783,64 mil do municĂpio de Guanambi (BA); R$ 112,07 mil de ParanĂŁ (TO); e R$ 72,02 mil de SantanĂłpolis (BA).
Desde 2016, a UniĂŁo pagou R$ 86,78 bilhões em dĂvidas garantidas. AlĂ©m do relatĂłrio mensal, o Tesouro Nacional disponibiliza os dados no Painel de Garantias Honradas.
As garantias representam os ativos oferecidos pela UniĂŁo – representada pelo Tesouro Nacional – para cobrir eventuais calotes em emprĂ©stimos e financiamentos dos estados, municĂpios e outras entidades com bancos nacionais ou instituições estrangeiras, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Como garantidora das operações, a UniĂŁo Ă© comunicada pelos credores de que nĂŁo houve a quitação de determinada parcela do contrato.
Recuperação de garantias
Caso o ente não cumpra suas obrigações no prazo estipulado, o Tesouro compensa os calotes, mas desconta o valor coberto de repasses federais ordinários – como receitas dos fundos de participação e compartilhamento de impostos, além de impedir novos financiamentos. Sobre as obrigações em atraso incidem ainda juros, mora e outros encargos previstos nos contratos de empréstimo, também pagos pela União.
Há casos, entretanto, de bloqueio na execução das contragarantias pela adoção de regimes de recuperação fiscal, por meio de decisões judiciais que suspenderam a execução ou por legislações de compensação das dĂvidas. Dos R$ 86,78 bilhões honrados pela UniĂŁo, cerca de R$ 79,02 bilhões se enquadram nessas situações.
Desde 2016, a UniĂŁo recuperou R$ 6,03 bilhões em contragarantias. Os maiores valores sĂŁo referentes a dĂvidas pagas pelos estados do Rio de Janeiro (R$ 2,77 bilhões) e de Minas Gerais (R$ 1,45 bilhĂŁo), alĂ©m de outros estados e municĂpios. Algumas dessas contragarantias, entretanto, foram restituĂdos aos referidos entes por força de decisĂŁo judicial.
Em 2026, a União já recuperou R$ 104,97 milhões em contragarantias.
Propag
No ano passado, foi instituĂdo o Programa de Pleno Pagamento da DĂvida dos Estados (Propag), aberto para adesĂŁo dos entes atĂ© 31 de dezembro. O programa prevĂŞ uma sĂ©rie de condições, como venda de ativos Ă UniĂŁo e um plano de corte de gastos para a liberação de atĂ© R$ 20 bilhões em investimentos pelos estados.
Os 22 estados brasileiros que aderiram ao Propag sĂŁo: Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, EspĂrito Santo, Goiás, MaranhĂŁo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, ParaĂba, Pernambuco, PiauĂ, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, RondĂ´nia, Roraima, Rio Grande do Sul, Sergipe, SĂŁo Paulo e Tocantins.
O Propag prevĂŞ descontos nos juros e parcelamento do saldo das dĂvidas estaduais em atĂ© 30 anos. Em troca, os estados que aderirem vĂŁo aportar recursos para o Fundo de Equalização Federativa (FEF), que distribuirá dinheiro para todos os estados que aderirem, mesmo os que nĂŁo tiverem dĂ©bitos com a UniĂŁo, para investimento em educação, segurança pĂşblica, saneamento, habitação, transportes e outras áreas.
Rio Grande do Sul
Por causa das enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, a UniĂŁo suspendeu o pagamento da dĂvida do estado por 36 meses. AlĂ©m disso, os juros que corrigem a dĂvida anualmente, em torno de 4% ao ano mais a inflação, serĂŁo perdoados pelo mesmo perĂodo.
O estoque da dĂvida do estado com a UniĂŁo está em cerca de R$ 100 bilhões atualmente e as parcelas que deveriam ser pagas serĂŁo repassadas a um fundo estadual destinado a realização de investimentos na reconstrução do estado devido Ă calamidade pĂşblica.
Em junho de 2022, o Rio Grande do Sul tinha fechado acordo com a UniĂŁo e teve o plano de recuperação fiscal homologado. O plano permite que o estado volte a pagar, de forma escalonada, a dĂvida da UniĂŁo, cujo pagamento estava suspenso por liminar do Supremo Tribunal Federal desde julho de 2017. Em troca, o governo gaĂşcho deverá executar um programa de ajuste fiscal que prevĂŞ desestatizações e reformas para reduzir os gastos locais.
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