Nenhum paĆ­s do mundo atingiu a igualdade legal entre homens e mulheres


Nenhum país do mundo atingiu a igualdade legal entre homens e mulheres, de acordo com a ONU Mulheres. Em nível global, a entidade das Nações Unidas estima que mulheres detêm apenas 64% dos direitos legais concedidos aos homens.

Um estudo sobre acesso Ć  justiƧa com dados publicados antes do Dia Internacional da Mulher e do inĆ­cio da 70ĀŖ. SessĆ£o da ComissĆ£o sobre o Estatuto da Mulher, CSW70, retrata ā€œum perĆ­odo desafiador de enorme pressĆ£o e tensĆ£oā€.

Sistemas de justiƧa legalmente adequados

O relatório global ā€œGarantindo e Fortalecendo o Acesso Ć  JustiƧa para Todas as Mulheres e Meninasā€ apresentado nesta quarta-feira estĆ” em linha com o evento que acontecerĆ” na sede da ONU, em Nova Iorque, entre 9 e 19 de marƧo.

A diretora de Políticas, Programas e Assuntos Intergovernamentais da ONU Mulheres, Sarah Hendriks, ressalta que é preciso assegurar, como primeiro passo que os sistemas de justiça sejam legalmente adequados, sem exceção. 

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Estudo sugere uma justiça preventiva com mecanismos de proteção, sistemas administrativos e capacidade de treinamento

Para a representante, as leis discriminatórias devem ser absolutamente rejeitadas, e as lacunas legais fechadas, para que os direitos sejam executados na prÔtica. Em segundo lugar, os sistemas de justiça devem atuar juntos em diferentes contextos.

Esses ambientes incluem o criminal, da polícia, dos procuradores, dos juízes, das correções, dos fornecedores de ajuda legal, dos sistemas de saúde e dos serviços sociais. Ela defende uma ação organizada e coordenada para que as vítimas e os sobreviventes não fiquem sozinhos em muitas situações burocrÔticas complexas em que muitos simplesmente desistem antes de ser feita justiça. 

Em terceiro plano, o estudo sugere uma justiça preventiva com mecanismos de proteção, sistemas administrativos e capacidade de treinamento, consolidação de atores de justiça, a educação pública e legal para conter a violência.

Acelerar a ação dos governos 

Como quarto requisito, a justiça deve ter fundos como um bem público e a ajuda legal obtendo investimento público sustentÔvel. Em quinto lugar, o estudo pede uma reforma de justiça concebida por e para mulheres.

Uma das constatações do relatório é que movimentos feministas fortes estão entre os mais são confiÔveis para acelerar a ação dos governos e a forma como as autoridades usam fundos ou implementam políticas.

O documento revela que mais de metade dos países não definem a agressão com base em consenso de acordo com a lei. Cerca de 74% deles ainda tem lei permitindo o casamento infantil, que afeta particularmente as meninas. E em 44% dos Estados, a lei não prevê um pagamento igual para o mesmo trabalho.

ViolĆŖncia eĀ igualdade de direitos

Em vÔrios contextos houve um retrocesso em ganhos que antes pareciam ter sido garantidos como a série de proteções contra a violência, igualdade de direitos na lei da família e segurança contra a discriminação.

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Documento destaca que muitos sistemas de justiƧa foram construƭdos por instituiƧƵes definidas pelo poder

Nesse cenÔrio, o setor da justiça, no entanto, é onde a igualdade é decidida, mas deforma muito mais frequente ela também é negada.

O documento destaca que muitos sistemas de justiça foram construídos por instituições definidas pelo poder, especificamente de natureza patriarcal, e nas quais continuam sendo implementados esses princípios.

No entanto, a ONU Mulheres tambƩm menciona que o trabalho conjunto com a sociedade civil ajudou a fortalecer as leis que permitem que mulheres e meninas tenham acesso Ơ justiƧa e reivindiquem seus direitos.

Ativar respostas institucionais

O relatório indica que etapas como denunciar uma agressão, aderir a medidas de proteção ou iniciar um processo de reparação dependem, em grande parte, de como os sistemas de justiça são estruturados. 

Em casos de violência contra mulheres e meninas, o acesso oportuno a esses mecanismos dita a possibilidade de ativar respostas institucionais que evitem mais danos, responsabilizem os agressores e garantam a restauração dos direitos.

O relatório ressalta que essas lacunas legais também se refletem no funcionamento dos sistemas de justiça, onde tendências institucionais e desigualdades estruturais influenciam quem pode ter acesso à proteção do Estado e em que condições.



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