O procurador-geral da RepĆŗblica, Paulo Gonet, enviou nesta quinta-feira (5) ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer favorĆ”vel Ć restauração da vigĆŖncia da resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que proĆbe a realização da chamada assistolia fetal para interrupção de gravidez.Ā Ā 

O procedimento Ć© usado pela medicina nos casos de abortos previstos em lei, como caso de estupro, anencefalia e para salvar a vida da gestante.Ā
Em 2024, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu liminarmente a resolução após analisar uma ação do PSOL contra a norma. Na ocasião, o ministro entendeu que houve abuso do poder regulamentar do CFM ao fixar regra não prevista em lei para impedir a realização do procedimento pelos médicos.
Para o Conselho, o ato médico da assistolia provoca a morte do feto antes do procedimento de interrupção da gravidez. Dessa forma, o procedimento deveria ser vetado.
No parecer, o procurador disse que cabe ao CFM resolver dilemas Ć©ticos do exercĆcio da medicina e ānĆ£o hĆ” arbitrariedadeā na proibição.
āAinda que se quisesse ver uma pretensĆ£o exigĆvel ao aborto no caso do estupro, isso nĆ£o tolheria o dever-direito do conselho de recusar o uso de tĆ©cnica que, ao seu juĆzo tĆ©cnico, Ć© cruel para com o ainda nĆ£o nascido que jĆ” se desenvolveu por mais de cinco meses no ventre maternoā, disse Gonet.
Com o parecer da PGR, o Supremo poderĆ” analisar o caso de forma definitiva. NĆ£o hĆ” prazo para o julgamento.
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