Em meio ao sétimo dia de guerra no Oriente Médio, autoridades das Nações Unidas enfatizaram que a expansão do conflito criou uma grave emergência humanitária e pode colocar a economia e o meio ambiente em risco.
Falando a jornalistas em Genebra nesta sexta-feira, o alto comissário para Direitos Humanos disse que a crise, iniciada com ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã, seguidos por contra-ataques, está “se espalhando como fogo”.
O alto comissário para os Direitos Humanos, Volker Turk
Consequências “fora de controle”
Volker Turk declarou que a expansão dos danos causados pelo conflito traz o risco de “grandes ramificações econômicas e ambientais ao redor do mundo”.
Em conversa com jornalistas em Nova Iorque, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, disse que o mundo vive um momento de “grave perigo”, com consequências “fora do controle daqueles que instigam o conflito”.
Ele afirmou que as interrupções em rotas marítimas cruciais, como o Estreito de Ormuz, podem aumentar os preços dos alimentos, sobrecarregar os sistemas de saúde e dificultar a entrega de suprimentos humanitários.
Fletcher também alertou que a crise pode desviar a atenção e os recursos de outras grandes emergências, como Sudão, República Democrática do Congo à Ucrânia e Gaza.
Declaração de emergência humanitária
A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, declarou a escalada da crise no Oriente Médio como uma grande emergência humanitária que exige uma resposta regional imediata.
A diretora de emergências do Acnur, Ayaki Ito, afirmou que o conflito está provocando movimentos populacionais significativos em toda a região e no sudoeste da Ásia.
Interrupção de rotas marítimas afeta entrega de ajuda
Já a Organização Internacional para Migrações, OIM, alertou que as interrupções nas rotas marítimas, relacionadas à escalada da crise no Oriente Médio, podem aumentar os custos e atrasar as entregas humanitárias em todo o mundo.
A diretora adjunta de Resposta Humanitária e Recuperação da OIM afirmou que a instabilidade em torno do Estreito de Ormuz e do Mar Vermelho já está afetando as cadeias de suprimentos.
Anne Kathrin Schaefer revelou que empresas de transporte marítimo estão introduzindo “sobretaxas de emergência” de cerca de US$ 3 mil por contêiner.
Os custos adicionais e os atrasos podem afetar as entregas de itens essenciais, como barracas, lonas e lâmpadas, destinados a operações humanitárias em toda a região e em outros lugares.
A importante rota marítima do Estreito de Ormuz é retratada separando as nações dos Emirados Árabes Unidos e Irã
Deterioração da situação no Líbano
A OIM relatou ainda que a situação no Líbano deteriorou-se drasticamente após a intensificação dos ataques aéreos e a emissão de ordens de evacuação em massa que afetaram grande parte do país.
As forças israelenses ordenaram a evacuação de moradores de áreas ao sul do rio Litani, bem como dos subúrbios do sul de Beirute e de partes do Vale do Bekaa. As ordens desencadearam grandes deslocamentos populacionais, com famílias fugindo em meio a congestionamentos, carregando apenas pertences essenciais.
Quase 100 mil pessoas deslocadas estão agora abrigadas em centenas de locais coletivos, enquanto muitas outras estão com parentes ou se deslocando para áreas mais seguras no norte do país.
Fechamento de unidades de saúde
Falando do Cairo, a diretora regional da Organização Mundial da Saúde, OMS, para o Mediterrâneo Oriental, disse que as autoridades iranianas reportaram mais de 925 mortes e mais de 6,1 mil feridos, além de14 ataques a serviços de saúde, desde 28 de fevereiro.
Hanan Balkhy adicionou que, no Líbano, foram relatados pelo menos 683 feridos e 123 mortes desde 2 de março.
Ela revelou que diversas unidades de saúde fecharam devido a ordens de evacuação, incluindo 43 centros de atenção primária e dois hospitais, limitando ainda mais o acesso aos cuidados médicos para a população libanesa.




