Projeto prevĂȘ que o Brasil mantenha parte das reservas internacionais em criptomoedas – NotĂ­cias


13/02/2025 – 15:21  

Zeca Ribeiro / CĂąmara dos Deputados

Eros Biondini: objetivo Ă© modernizar a gestĂŁo financeira e tecnolĂłgica brasileira

O Projeto de Lei 4501/24 cria a Reserva Estratégica Soberana de Bitcoins (RESBit), prevendo a compra de criptomoedas pelo governo federal como forma de diversificar os ativos financeiros de suas reservas internacionais. A Cùmara dos Deputados analisa a proposta.

Essas reservas são como um seguro em moeda estrangeira para o Brasil, garantindo que o país possa pagar suas contas no exterior e lidar com crises econÎmicas. Em janeiro de 2025, o estoque das reservas internacionais brasileiras em dólar somava US$ 328,3 bilhÔes. Pelo projeto, parte dessa reserva seria comprada em moedas digitais.

O texto estabelece que a gestão da RESBit serå de responsabilidade do Banco Central, em conjunto com o Ministério da Fazenda, e que a compra das criptomoedas serå feita de maneira planejada e gradual, ficando limitada a 5% das reservas brasileiras. A gestão dos ativos pelo BCB deverå ser transparente, com a divulgação de relatórios semestrais ao Congresso Nacional e à sociedade.

O Banco Central deverĂĄ ainda:

  • criar sistemas avançados de monitoramento e controle, com o uso de inteligĂȘncia artificial e tecnologias de blockchain – registro digital descentralizado e compartilhado de transaçÔes, organizado em blocos interligados e protegidos por criptografia;
  • assegurar a guarda dos ativos digitais em conformidade com os mais altos padrĂ”es de segurança, utilizando mĂ©todos como carteiras frias (cold wallets) e protocolos de backup descentralizados; e
  • estabelecer e manter uma infraestrutura robusta para proteger os bitcoins contra riscos cibernĂ©ticos, fraudes e acessos nĂŁo autorizados; entre outras açÔes.

Por fim, a proposta determina que o governo federal incentive programas de formação em blockchain, criptoeconomia e segurança cibernética em universidades, escolas técnicas e centros de pesquisa.

Autor do projeto, o deputado Eros Biondini (PL-MG) afirma que o objetivo Ă© modernizar a gestĂŁo financeira e tecnolĂłgica do Brasil, alinhando o paĂ­s com tendĂȘncias globais da economia digital. Ele acrescenta que diversas naçÔes jĂĄ adotaram estratĂ©gias inovadoras com criptomoedas, como Estados Unidos, China, e UniĂŁo Europeia.

“O mercado de criptomoedas tem demonstrado expansĂŁo consistente. Em 2021, o valor total do mercado global de criptomoedas ultrapassou 3 trilhĂ”es de dĂłlares, segundo a CoinGecko”, observa o autor. “Embora volĂĄtil, os dados indicam que as moedas digitais estĂŁo se consolidando como uma classe de ativos legĂ­tima. PaĂ­ses que adotarem estratĂ©gias para sua integração econĂŽmica poderĂŁo colher benefĂ­cios significativos no mĂ©dio e longo prazo”, acrescentou.

O que sĂŁo criptomoedas?
As criptomoedas mais conhecidas, como o Bitcoin e o Ether, são criadas por um processo chamado de mineração. Nele, os chamados “mineradores” precisam utilizar vários computadores potentes para resolver problemas matemáticos complexos ao mesmo tempo. Quem consegue primeiro ganha criptomoedas como recompensa. Essas novas moedas são validadas nas redes de blockchain e entram em circulação no mercado, passando a ser negociadas em moedas tradicionais, como o dólar.

Em muitos casos, as criptomoedas vĂȘm sendo usadas como investimento ou reserva de valores, esperando-se que o preço delas aumente, para que se possa vendĂȘ-las com lucro no futuro. Entretanto, por conta de variaçÔes muito bruscas nos preços, essas moedas ainda sĂŁo vistas como investimento de alto risco.

PrĂłximas etapas
A proposta serĂĄ analisada, em carĂĄter conclusivo, pelas comissĂ”es de Desenvolvimento EconĂŽmico; de CiĂȘncia, Tecnologia e Inovação; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pela CĂąmara e pelo Senado.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Marcelo Oliveira



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