O plenÔrio do Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar nesta sexta-feira (20) a privatização da Companhia Paulista de Saneamento BÔsico do Estado de São Paulo (Sabesp). O primeiro voto, do ministro Cristiano Zanin, foi por manter o processo de desestatização. 

A anĆ”lise, entretanto, foi interrompida por um pedido de destaque feito pelo ministro Luiz Fux, o que zera a votação e envia o caso para anĆ”lise no plenĆ”rio fĆsico convencional, em data ainda a ser definida.Ā
O caso comeƧou a ser julgado nesta sexta no plenĆ”rio virtual, em sessĆ£o que estava marcada para durar atĆ© 27 de marƧo, mas o julgamento foi suspenso poucos minutos após ter comeƧado.Ā
Relator do tema e único a votar, Zanin não chegou a analisar questões de mérito sobre a privatização da companhia. O ministro rejeitou, por insuficiência de argumentação, o pedido feito pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para reverter a desestatização.
Para Zanin, o partido, que fazĀ oposição ao governo paulista,Ā deixou de apresentar argumentação especĆfica que demonstre a inconstitucionalidade de cada artigo da legislação que abriu caminho para a privatização da Sabesp.Ā
āO Supremo Tribunal Federal tem entendimento consolidado no sentido de que impugnaƧƵes genĆ©ricas e desprovidas de fundamentação concreta nĆ£o sĆ£o admissĆveis no Ć¢mbito do controle concentrado de constitucionalidadeā, escreveu o ministro.Ā
Na quinta (19), um dia antes do inĆcio do julgamento, o governador de SĆ£o Paulo, TarcĆsio de Freitas, esteve em BrasĆlia para reuniƵes com ministros do Supremo.Ā
ArgumentosĀ
O PT alega, por exemplo, que a empresa foi vendida por preço abaixo do mercado e que houve limitação de participação de acionistas para favorecer apenas uma concorrente.
O partido também contesta a participação de Karla Bertocco, ex-diretora da Equatorial Participações e Investimentos, no conselho que deliberou favoravelmente à privatização. A empresa foi a única a apresentar uma proposta para assumir a posição de investidor referência.
A anĆ”lise de tais argumentos jĆ” havia sido rejeitada em 2024Ā pelo entĆ£o presidente do Supremo, o hoje ministro aposentado LuĆs Roberto Barroso. Na Ć©poca, ele afirmou que, para investigar as acusaƧƵes, seria preciso produzir provas, algo que seria inviĆ”vel em uma ação de controle constitucional.Ā
Barroso tambĆ©m afirmou que paralisar o processo de desestatização da companhia poderia gerar prejuĆzos da ordem de R$ 20 bilhƵes ao estado de SĆ£o Paulo, motivo pelo qual negou o pedido deĀ liminar para impedir a privatização da Sabesp.Ā
Relembre
O governo de SĆ£o Paulo concluiu o processo de privatização da Sabesp em 23 de julho de 2024, ao vender 32% das próprias aƧƵes na companhia.Ā
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Do percentual vendido, 15% foram comprados por R$ 6,9 bilhões (cada ação por R$ 67) pela Equatorial.
Os demais 17% dos papĆ©is foram vendidos, pelo mesmo preƧo da ação (R$ 67), a pessoas fĆsicas, jurĆdicas e funcionĆ”rios da companhia, o que rendeu mais R$ 7,8 bilhƵes ao governo paulista.Ā Ā




