Épico Bentley Brooklands | Identificado


O assunto sobre o que Bentley deveria fazer a seguir Ă© sempre um pouco polĂªmico. Dada a extensĂ£o da sua penetraĂ§Ă£o na elite global de compradores de automĂ³veis e a sua escala relativamente Ă¡gil como fabricante, deveria ter o mundo aos seus pĂ©s. Mas a sua posiĂ§Ă£o dentro do Grupo VW, embora crucial para a sua existĂªncia, sempre foi uma faca de dois gumes. Deve nĂ£o sĂ³ justificar o seu lugar na luta em curso por investimentos futuros, mas tambĂ©m enquadrar-se na (compreensĂ­vel) preocupaĂ§Ă£o de Wolfsburgo com a partilha de plataformas e outras tecnologias baseadas em mĂ³dulos. O que nem sempre favorece um primeiro mundo cada vez mais obcecado pela exclusividade.

De qualquer forma, isto explica e justifica a ideia de um SUV Urbano de Luxo, o primeiro EV da Bentley. A ideia de mais um carro grande e cheio de tela, movido a bateria, pode parecer tĂ£o atraente quanto um cascalho no seu 99, mas nĂ£o somos o pĂºblico-alvo do novo carro-chefe: ele foi feito principalmente para flutuar pelas cidades globais e competir de frente com carros como o Range Rover ElĂ©trico. Faz todo o sentido, num mundo visto de uma sala de reuniões – especialmente quando a Bentley pode apontar para a traĂ§Ă£o traseira, nĂ£o hĂ­brida, Supersports de dois lugares como evidĂªncia de seu coraĂ§Ă£o batendo.

Mas nĂ£o deixa muito espaço para algo verdadeiramente especial; algo, por exemplo, nos moldes do indiscutivelmente fabuloso Brooklands. Algum carro, nos tempos difĂ­ceis de hoje, precisa de menos explicações? HĂ¡ o aspecto tĂ©cnico, claro (conceitualmente, era um Azure com teto, o que significava que tambĂ©m havia um Arnage por baixo), e a maravilha do V8 biturbo de 6,75 litros – mas na verdade vocĂª sĂ³ precisa olhar para a coisa, e beber naquelas proporções oceĂ¢nicas, para saber que vocĂª nĂ£o estĂ¡ mais no Kansas.

Claro, tambĂ©m ajuda saber que se trata do fim dos tempos do velho Bentley, sendo os Ăºltimos broadsides montados Ă  mĂ£o disparados de Crewe antes que a fĂ¡brica se transportasse para uma nova era brilhante, onde poderia construir muitos carros em (o que parecia ser em comparaĂ§Ă£o) velocidade warp. TambĂ©m Ă© esclarecedor pensar que o Continental GT jĂ¡ era um grande sucesso quando a VW aprovou a ideia de uma ediĂ§Ă£o limitada (e extremamente cara) do golpe de mestre com traĂ§Ă£o traseira.

Mas sempre foi um longo adeus ao que Bentley costumava ser, em vez de uma dica do que ainda estava por vir. NĂ£o houve substituto direto para o Brooklands, o Mulsanne substituiu o Arnage dois anos depois por um carro-chefe totalmente moderno, com o GT deixado para carregar a tocha para qualquer pessoa sem a necessidade de quatro portas. NĂ£o Ă© de surpreender, entĂ£o, que os preços tenham permanecido respeitĂ¡velmente elevados duas dĂ©cadas depois – que coleĂ§Ă£o de carros clĂ¡ssicos britĂ¢nicos nĂ£o se tornaria mais especial com a inclusĂ£o de um exemplar tĂ£o majestoso?

Por falar nisso, vocĂª pode nĂ£o encontrar nada melhor do que este. NĂ£o Ă© incomum encontrar milhas muito modestas em Brooklands usados ​​- elas sempre foram classificadas como item de colecionador – mas a presença de apenas quatro nĂºmeros no hodĂ´metro marca esta como especial. Assim como a combinaĂ§Ă£o excepcionalmente bem escolhida de safira preta com caju. O histĂ³rico de serviço e o registro MOT previsivelmente impecĂ¡vel falam por si. Assim como a exigĂªncia de um POA. Independentemente disso, serĂ¡ menos do que a Bentley vai cobrar pelo prazer de possuir um SUV urbano de luxo, por algo que imaginarĂ­amos dispensar inĂºmeras vezes o prazer de dirigir.

ESPECIFICAĂ‡ĂƒO | BENTLEY BROOKLANDS

Motor: 6.750 cc, V8, biturbo
TransmissĂ£o: AutomĂ¡tico de 6 marchas, traĂ§Ă£o traseira
PotĂªncia (CV): 537 @ 4.000 rpm
Torque (lb pés): 774 a 3.250 rpm
MPG: 14,5
CO2: 465g/km
Quilometragem registrada: 3.216
Ano registrado: 2008
Preço novo: c. £ 230.000
Seu para: POA



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