O ministro FlÔvio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (5) que o governo federal elabore um plano emergencial para reestruturar o trabalho de fiscalização da Comissão de Valores MobiliÔrios (CVM), órgão responsÔvel pelo monitoramento das instituições que atuam no mercado de capitais.

A decisĆ£o foi tomada um dia após o ministro questionar a eficiĆŖncia da comissĆ£o para fiscalizar fundos de investimentos que sĆ£o usados para lavagem de dinheiro.Ā
Dino determinou que a União terÔ prazo de 20 dias para apresentar um plano operacional com medidas prÔticas, como realização de mutirões para fiscalizações extraordinÔrias e julgamento de processos.
Conforme a decisĆ£o, o plano deverĆ” conter quatro eixos, que deverĆ£o envolver aƧƵes sobre atuação repressiva e celeridade processual; recomposição de servidores e integração tecnológica; inteligĆŖncia financeira e cooperação interinstitucional e supervisĆ£o preventiva para conter a āindĆŗstria de fundos de investimento e āzonas cinzentasā.
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Taxa
FlÔvio Dino também determinou que a CVM deverÔ receber o valor integral que é arrecadado pelo governo com o pagamento da chamada taxa de fiscalização.
A taxa varia de acordo com o patrimĆ“nio lĆquido da instituição financeira.Ā O menor valor Ć© de aproximadamente R$ 500. A maior contribuição estĆ” em torno de R$ 600 mil.
Caso Master
O ministro afirmou na decisĆ£o que a CVM vive um quadro de āatrofia institucionalā, que permite a proliferação de fraudes, como os desvios ocorridos no caso do Banco Master.
Dino citou que a comissão enfrenta redução orçamentÔria e falta de servidores.
āA confirmação desse cenĆ”rio evidencia-se na proliferação de fraudes e ilĆcitos de vulto bilionĆ”rio, com potencial desestabilizador de todo o sistema, como se verificou no caso do Banco Master. Aparentemente, o banco teria desenvolvido atividades criminosas favorecidas pela facilidade de ocultação de informaƧƵes obrigatórias e pela suposta ausĆŖncia de exigĆŖncias fiscalizatórias por parte dos órgĆ£os reguladores.ā
ProcessoĀ
O caso chegou ao Supremo em março de 2025, quando o partido Novo entrou com uma ação para contestar o pagamento da taxa de fiscalização.
A legenda citou na ação que a CVM arrecadou R$ 2,4 bilhƵes, entre 2022 e 2024. Desse total, R$ 2,1 bilhƵes sĆ£o oriundos de taxas. No mesmo perĆodo, o orƧamento do órgĆ£o foi de R$ 670 milhƵes.
O partido ainda citou que a maior parte da arrecadação da CVM, cerca de 70%, vai para o caixa do governo federal, sendo que apenas 30% vai para a atividade-fim do órgĆ£o. Ā




