A defesa do general Mauro Fernandes ingressou nesta terça-feira (25) com um pedido de impedimento do ministro FlĂĄvio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para julgar a denĂșncia sobre uma trama golpista atuante nos Ășltimos meses do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O principal argumento Ă© o de que Dino era ministro da Justiça e Segurança PĂșblica durante os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos TrĂȘs Poderes foram invadidas e depredadas por apoiadores de Bolsonaro. Â
No pedido desta terça, os advogados de Fernandes apontam que Dino se manifestou publicamente na ocasiĂŁo e classificou o episĂłdio como tentativa de âgolpe de Estadoâ, mesmo crime imputado a Fernandes pela denĂșncia feita pelo procurador-geral da RepĂșblica, Paulo Gonet, na semana passada.
Para o PGR, o 8 de janeiro possui vĂnculo direto com o complĂŽ golpista que foi organizado entre novembro e dezembro de 2024 por membros da alta cĂșpula do governo Bolsonaro. O ex-presidente foi denunciado como lĂder da organização criminosa armada, cujo objetivo seria mantĂȘ-lo no poder apĂłs derrota na tentativa de reeleição.
O pedido ocorre após a defesa de Bolsonaro ter indicado que também pediria o impedimento de Dino e também do ministro Cristiano Zanin, o que ainda não ocorreu. Os dois magistrados foram indicados ao cargo pelo presidente Luiz Inåcio Lula da Silva.
Nesta segunda-feira (24), ao ser questionado por jornalistas, Dino declarou, sem citar nenhum processo especĂfico, nĂŁo haver “nenhum constrangimento”, por parte dele, para julgar Bolsonaro.Â
JuĂzo de valor
âNo dia 8 de janeiro de 2023, ExcelentĂssimo Ministro FlĂĄvio Dino, agora membro dessa Suprema Corte, atuou ativamente no indesejĂĄvel evento que culminou com a depredação de patrimĂŽnio pĂșblico, como se verĂĄ adiante e, objetivamente, emitiu juĂzo de valor, qualificando aquele evento como âgolpe de EstadoÂŽâ, diz a petição da defesa de Fernandes.
O pedido aponta ainda para atos de ofĂcio praticados por Dino durante e depois do 8 de janeiro e relacionados aos ataques.
Os advogados Marcus Vinicius de Camargo Figueiredo, AndrĂ© LuĂs de Carvalho e Dennys Albuquerque Rodrigues ponderam assim que o impedimento de Dino no caso Ă© âobjetivoâ, devido a seu envolvimento direto nos fatos denunciados, e sem nenhum questionamento Ă idoneidade do ministro.
âSĂŁo exaustivamente fartas, as manifestaçÔes pĂșblicas do ExcelentĂssimo Ministro FlĂĄvio Dino, ao tempo em que exercia o cargo de Ministro da Justiça, demonstrando de forma clara, objetiva e especĂfica a parcialidade/impedimentoâ, afirmam os defensores.
O pedido foi direcionado ao ministro LuĂs Roberto Barroso, presidente do Supremo, a quem cabe relatar as arguiçÔes de impedimento feitas ao tribunal. NĂŁo hĂĄ prazo definido para uma decisĂŁo. Em caso de negativa, Ă© possĂvel recorrer ao plenĂĄrio da Corte.
No ano passado, Barroso jĂĄ negou, monocraticamente (de forma individual) 192 pedidos de suspeição e impedimento feitos contra o ministro Alexandre de Moraes, relator da denĂșncia sobre a tentativa de golpe de Estado. Os pedidos haviam sido feitos por pessoas denunciadas por participação no 8 de janeiro.
Barroso jå rejeitou um pedido do próprio Bolsonaro para que Moraes fosse impedido de relatar a investigação sobre a trama golpista. A negativa foi depois confirmada por 9 votos a 1 pelo plenårio.
Segundo a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o general Mauro Fernandes estava entre os que mais pressionavam o ex-presidente a tomar alguma medida de intervenção contra a democracia nos dois meses entre o fim das eleiçÔes de 2022 até a posse do presidente Luiz Inåcio Lula da Silva, em janeiro de 2023.
A defesa do general nega participação dele em qualquer plano de golpe.
Confira aqui a participação de cada um dos acusados na trama, segundo a denĂșncia.
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