Morre Luiz Carlos Barreto, referĂȘncia do cinema nacional


O produtor, roteirista e diretor de cinema Luiz Carlos Barreto morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos, no Rio de Janeiro. Um dos maiores produtores do cinema nacional, Barreto produziu clássicos como “Terra em Transe” e “Vidas Secas”.

Em reconhecimento Ă  contribuição de sua obra para a cultura brasileira, o presidente Lula decretou luto oficial de trĂȘs dias.

Luiz Carlos Barreto estava internado desde segunda-feira, no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para tratar uma infecção pulmonar.

Amor ao Cinema

A trajetória de mais de 60 anos de Barreto foi marcada pelo amor à sétima arte. O cearense de Sobral começou a carreira como fotógrafo da Revista O Cruzeiro, na década de 1950, no Rio de Janeiro.

No cinema, estreou como um dos roteiristas da ficção policial “O Assalto ao Trem Pagador”, de Roberto Farias, lançada em 1962. No ano seguinte, fundou a L.C. Barreto ProduçÔes, ao lado da esposa, Lucy, e teve papel importante na defesa do cinema nacional durante a ditadura militar. A estreia na produção veio com o longa “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos, um dos filmes-chave do movimento Cinema Novo. 


Rio de Janeiro (RJ), 26/09/2023 - Gravação do programa Cine Resenha, da TV Brasil, com o cineasta Luiz Carlos Barreto e a produtora Lucy Barreto, sua esposa, apresentado por Priscila Rangel. Foto: Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 26/09/2023 - Gravação do programa Cine Resenha, da TV Brasil, com o cineasta Luiz Carlos Barreto e a produtora Lucy Barreto, sua esposa, apresentado por Priscila Rangel. Foto: Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil

O cineasta Luiz Carlos Barreto e a produtora Lucy Barreto, sua esposa, durante gravação do programa Cine Resenha, da TV Brasil, em 2023.  Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil 

Com mais de 50 filmes produzidos, destacam-se tĂ­tulos como “Terra em Transe”, de Glauber Rocha; “O Beijo no Asfalto” e “Dona Flor e seus dois maridos”, ambos dirigidos por Bruno Barreto, filho de Luiz Carlos. O Ășltimo foi sucesso de crĂ­tica e de pĂșblico e se manteve por mais de 30 anos como a maior bilheteria do cinema nacional. 

BarretĂŁo

BarretĂŁo, como era conhecido, foi indicado duas vezes ao Oscar pelos filmes “O Quatrilho”, de FĂĄbio Barreto, tambĂ©m filho de Luiz Carlos, e “O Que Ă© isso, Companheiro?” de Bruno Barreto. 

Entidades do audiovisual e profissionais do setor lamentaram a morte de Luiz Carlos Barreto. A Ancine, AgĂȘncia Nacional do Cinema, afirmou em nota que “BarretĂŁo falava em cinema brasileiro com identidade, ousadia e vocação prĂłpria” e que “sua atuação foi decisiva para o fortalecimento da produção independente e para o desenvolvimento da indĂșstria audiovisual.”

A Academia Brasileira de Letras destacou que Barreto “formou geraçÔes de cineastas que certamente encontrarĂŁo nele uma inspiração”. A insituição tambĂ©m ressaltou seu papel como “articulador polĂ­tico importante, sempre atuando na defesa do audiovisual brasileiro e na discussĂŁo sobre polĂ­ticas pĂșblicas para o cinema.

O velĂłrio de Luis Carlos Barreto vai ser realizado nesta quinta-feira, no PalĂĄcio da Cidade, uma das sedes da Prefeitura do Rio, na Zona Sul da capital fluminense. O corpo serĂĄ cremado no Memorial do Caju, na Zona Norte.




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