Juros para famĂ­lias sobem em agosto e inadimplĂȘncia chega a 6%


As famĂ­lias brasileiras continuaram enfrentando aumento dos juros, da inadimplĂȘncia e do endividamento em agosto, segundo as EstatĂ­sticas MonetĂĄrias e de CrĂ©dito divulgadas nesta terça-feira (29) pelo Banco Central (BC).

A taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas chegou a 61,7% ao ano, com alta de 1,4 ponto percentual (p.p.) em relação a julho; e de 2,9 p.p. na comparação com agosto do ano passado.

Entre as modalidades que mais pressionaram o indicador estão o cartão de crédito rotativo e o cartão parcelado.

Considerando famĂ­lias e empresas, a taxa mĂ©dia de juros das operaçÔes com recursos livres ficou em 48,5% ao ano em agosto, com aumento de 0,8 p.p. no mĂȘs e de 2,3 p.p. em 12 meses.

No caso especificamente das empresas, a taxa mĂ©dia de 24,2% representa recuo de 1,0 p.p. no mĂȘs e de 0,7 p.p. em 12 meses.

“Prevaleceu o efeito da variação das taxas (efeito taxa), com destaque para as reduçÔes das taxas mĂ©dias de cartĂŁo de crĂ©dito rotativo (-26,9 p.p.), de capital de giro com prazo inferior a 365 dias (-4,1 p.p.) e de capital de giro com prazo superior a 365 dias (-1,0 p.p.)”, detalhou o BC.

Crédito

Apesar dos juros mais elevados, o crĂ©dito Ă s famĂ­lias continuou crescendo. O saldo das operaçÔes livres para pessoas fĂ­sicas alcançou R$ 2,6 trilhĂ”es, com expansĂŁo de 0,8% no mĂȘs e de 10,5% em 12 meses.

O resultado foi puxado principalmente pelo financiamento de veículos, pelo cartão de crédito rotativo e pelo crédito consignado para trabalhadores do setor privado, modalidade que concentra as operaçÔes do Crédito do Trabalhador.

Nas empresas, a taxa mĂ©dia de juros do crĂ©dito livre ficou em 24,2% ao ano, apĂłs recuo de 1 p.p. em agosto. O saldo dessas operaçÔes somou R$ 1,6 trilhĂŁo, com queda de 0,6% no mĂȘs e alta de 0,5% em 12 meses.

Segundo o BC, o resultado foi influenciado principalmente pela redução das operaçÔes de capital de giro, de desconto de duplicatas e outros recebíveis.

O saldo total da carteira de crĂ©dito livre atingiu R$ 4,1 trilhĂ”es em agosto, crescimento de 0,2% no mĂȘs e de 6,5% em 12 meses.

Endividamento e inadimplĂȘncia

Os indicadores de crĂ©dito mostram que o endividamento das famĂ­lias atingiu 49,9% em julho, com aumento de 0,2 p.p. em relação ao mĂȘs anterior e de 1,1 p.p. em 12 meses.

O comprometimento da renda com o pagamento de dívidas ficou em 28,7%, eståvel na comparação mensal, mas 1,4 p.p. acima do registrado um ano antes.

Ao mesmo tempo, a inadimplĂȘncia da carteira total de crĂ©dito do Sistema Financeiro Nacional alcançou 5% em agosto, com alta de 0,1 p.p. no mĂȘs e de 0,9 p.p. em 12 meses.

Entre as famĂ­lias, a taxa de inadimplĂȘncia chegou a 6%, avançando 0,2 p.p. em relação a julho e 1,1 p.p. na comparação anual. Nas operaçÔes com empresas, o indicador permaneceu estĂĄvel em 3,3%.

Crédito total soma R$ 7,4 trilhÔes

O saldo das operaçÔes de crĂ©dito do Sistema Financeiro Nacional atingiu R$ 7,4 trilhĂ”es em agosto, o que representa expansĂŁo de 0,5% no mĂȘs.

As operaçÔes com famílias cresceram 0,8%, chegando a R$ 4,7 trilhÔes. Nas empresas, houve redução de 0,1%, para R$ 2,7 trilhÔes.

Em 12 meses, o crédito total acumulou crescimento de 9,2%, com avanço de 10,5% nas operaçÔes destinadas às pessoas físicas e de 7,1% naquelas voltadas às empresas.

Considerando emprĂ©stimos bancĂĄrios, tĂ­tulos de dĂ­vida e financiamentos externos, o crĂ©dito ampliado ao setor nĂŁo financeiro totalizou R$ 22 trilhĂ”es em agosto, o que equivale a 164,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O saldo cresceu 0,6% no mĂȘs e 11,3% em 12 meses.

O crédito ampliado às empresas somou R$ 7,3 trilhÔes, valor equivalente a 54,6% do PIB, com expansão de 1,1% em agosto e de 8,7% na comparação anual.

Reservas bancårias avançam

Nos agregados monetĂĄrios, a base monetĂĄria encerrou agosto estĂĄvel, na comparação com o mĂȘs anterior, em R$ 432,6 bilhĂ”es. Tendo como base comparativa agosto de 2025, apresentou retração de 1,4%.

As reservas bancĂĄrias cresceram 4,5% no mĂȘs, enquanto o volume de papel-moeda em circulação recuou 0,5%.



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