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A desconfiança se espalha com o vĂrus Ebola no Congo
Numa remota cidade mineira no centro do surto de Ébola na RepĂşblica Democrática do Congo, a tristeza e a desconfiança estĂŁo a complicar os esforços para travar o vĂrus. Os profissionais de saĂşde estĂŁo a tentar tratar os doentes e enterrar os mortos, mas alguns residentes ainda negam que a doença seja real.
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Outra mĂŁe está de luto no principal hospital de Mongbwalu, considerado o marco zero do mais recente surto de Ébola no Congo. Ela está sozinha e sobrecarregada. Disseram-nos que sua filha de 26 anos acaba de morrer por suspeita de Ebola. A mulher quer estar perto do filho. No entanto, com este vĂrus, atĂ© isso pode ser perigoso. As pessoas que morrem de Ébola continuam altamente infecciosas. É por isso que as equipes funerárias sĂŁo treinadas para manuseá-los com equipamentos de proteção, para desinfetar o corpo e evitar que as famĂlias toquem nos mortos. Mas essas regras estĂŁo sendo quebradas. As pessoas estĂŁo com raiva e com medo. Os profissionais de saĂşde foram ameaçados e alguns atĂ© atacados. Parte do que está causando a desconfiança Ă© que a doença nĂŁo Ă© familiar aqui. Sem vacina ou tratamento aprovado, muitos pacientes morrem apesar de receberem cuidados. Algumas pessoas aqui nem estĂŁo convencidas de que a doença seja real. Ă€ medida que as mortes aumentam, a confiança na resposta permanece frágil. Como mototaxista, ele teme um possĂvel contágio de seus clientes, bem como a desconfiança mais ampla que cresce na comunidade. Esta Ă© a primeira entrega de emergĂŞncia transportada por organizações de ajuda internacional. Kits de higiene e suprimentos mĂ©dicos desesperadamente necessários estĂŁo sendo encaminhados para o hospital que trata de pacientes suspeitos de Ebola. As milĂcias Ă©tnicas e os grupos rebeldes da regiĂŁo dificultam a circulação e, com a tensĂŁo adicional dentro da cidade, o governo nĂŁo corre quaisquer riscos. Ă€ medida que os suprimentos chegam ao hospital, chega tambĂ©m uma famĂlia que vem buscar o corpo de Bienfaits Marasto. Os mĂ©dicos dizem que ele morreu de Ebola, mas sem teste confirmado, a famĂlia está em dĂşvida. Marasto, que foi filmado pelo The New York Times poucos dias antes de morrer, trabalhava como tĂ©cnico de laboratĂłrio do hospital. Sua irmĂŁ diz que seus sintomas nĂŁo pareciam graves. Ela diz que ele veio ao hospital porque presumiu que seus colegas o salvariam. Sua dor se tornou dĂşvida. E em Mongbwalu, essa dĂşvida Ă© apenas mais uma coisa que ajuda a espalhar o Ébola.

Por Michael Anthony Adams, Bethlehem Feleke, Yasu Tsuji e Jon Hazell
4 de junho de 2026




