Transformar dados sobre sinistros em ações capazes de evitar novas ocorrências. Esse foi um dos principais pontos defendidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) durante o 5º Seminário Internacional de Segurança no Trânsito: Investigação Preventiva de Sinistros de Trânsito, realizado nesta quinta-feira (17/9), em Brasília.
Representando a Agência, o superintendente de Infraestrutura Rodoviária, Fernando Bezerra, participou do painel “Visão Sistêmica e Segurança Viária: da Investigação à Ação na Infraestrutura”. O debate reuniu representantes do poder público e do setor de concessões para discutir como a investigação dos sinistros pode contribuir para decisões mais precisas e para a prevenção de novas ocorrências.
“A ideia da investigação não é só achar o culpado, mas encontrar uma solução para que aquele tipo de acidente não ocorra mais”, destacou Bezerra
Organizado pelo Centro Nacional de Estudos de Sinistros de Trânsito (CNEST), o encontro reuniu especialistas brasileiros e estrangeiros para discutir novas abordagens para a investigação preventiva, com participação de instituições como CENIPA, Guarda Civil Espanhola, CEI-RAT, da Argentina, e Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (UNECE).
Mais dados, melhores decisões
Nos últimos anos, a ANTT tem ampliado a quantidade de informações disponíveis sobre as rodovias concedidas. Segundo o superintendente, sistemas de monitoramento, câmeras, conectividade nas estradas e novas tecnologias vêm permitindo conhecer melhor a operação das vias e o comportamento dos usuários.
Um dos principais instrumentos é o Sistema de Informações Rodoviárias (SIR), alimentado pelas concessionárias com dados sobre tráfego, infraestrutura, operação e sinistros. As informações também subsidiam o trabalho de acompanhamento operacional da Agência e estão disponíveis, em parte, na plataforma de dados abertos.
Para Bezerra, porém, o avanço tecnológico traz um novo desafio. “Hoje temos muita informação, muitos dados, mas agora precisamos melhorar o tratamento desses dados. É isso que permite direcionar melhor os investimentos, evitar retrabalho e, no final do dia, salvar mais vidas.”
Nesse contexto, a criação do CNEST foi apontada pelo superintendente como uma oportunidade para aproximar ainda mais a investigação detalhada dos sinistros da gestão das rodovias. A ANTT pretende atualizar o Programa Vias Seguras, criado em 2022, e discutir formas de incorporar esse trabalho de investigação ao ambiente das concessões.
A proposta é que as conclusões obtidas a partir das ocorrências ajudem a responder uma pergunta essencial: qual é a intervenção mais adequada para reduzir o risco naquele ponto da rodovia?
Rodovia é um “organismo vivo”
Bezerra também destacou que os contratos de concessão são de longo prazo, mas as condições das rodovias mudam continuamente. O crescimento das cidades, alterações no tráfego, novos acessos e mudanças no perfil dos usuários podem criar necessidades que não existiam quando o contrato foi assinado.
“A rodovia é um organismo vivo. Ela vai se modificando ao longo dos anos, seja por questões de fluidez, seja por questões de segurança.”
Por isso, embora os contratos passem por revisões estruturadas ao longo de sua duração, a regulamentação permite incorporar determinadas intervenções de segurança sem que seja necessário aguardar esses ciclos. Segundo Bezerra, obras como áreas de escape, passarelas e outras melhorias podem ser incluídas por meio de revisões extraordinárias e termos aditivos quando a necessidade é identificada.
A investigação dos sinistros, associada aos dados de tráfego, às condições da infraestrutura e à análise técnica, passa a ser justamente uma das ferramentas para definir onde e como agir.
Segurança além das obras
O trabalho de prevenção não se limita à infraestrutura. O Programa Vias Seguras também levou a ANTT a criar a Coordenação de Segurança Viária e Educação no Trânsito, responsável pelo acompanhamento de estatísticas, programas e ações educativas nas concessões.
Parte dos contratos prevê recursos específicos para segurança e educação no trânsito, utilizados inclusive em parcerias com instituições como a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Durante o painel, Bezerra citou uma experiência acompanhada por ele na rodovia administrada pela EcoAraguaia. Em um trecho onde a ultrapassagem é proibida, câmeras registram condutores que realizam a manobra irregular. Em seguida, a PRF aborda os motoristas e utiliza as próprias imagens em uma ação educativa, mostrando o risco do comportamento flagrado.
Para o superintendente, iniciativas desse tipo mostram como tecnologia, fiscalização e educação podem atuar de forma conjunta.
A Agência também promove o EDUCAVias, iniciativa voltada à educação e à segurança no trânsito. A próxima edição será realizada na quarta-feira (24/9), durante a Paving Expo, em São Paulo. O programa integra as ações desenvolvidas pela ANTT para aproximar concessionárias, órgãos públicos e entidades do setor em torno da prevenção de sinistros.
Investigação para prevenir
Ao final, Bezerra reforçou que a expansão da malha concedida e o aumento da quantidade de informações disponíveis tornam ainda mais importante integrar investigação, dados e tomada de decisão.
A ANTT conta atualmente com 35 contratos de concessão rodoviária, em uma malha superior a 17 mil quilômetros, segundo o superintendente. Nesse cenário, ampliar a qualidade das análises passa a ser tão importante quanto ampliar a quantidade de informações coletadas.
“A gente precisa colocar a investigação dos acidentes no contexto das concessionárias para direcionar melhor os investimentos. Com estudos mais detalhados, conseguimos otimizar recursos, evitar retrabalho e, principalmente, salvar mais vidas”, concluiu.
Gerência de Comunicação Social – ANTT
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