06/05/2025 – 19:11 Â
Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Arthur Lira (E) e Rubens Pereira JĂşnior (D), relator e presidente da comissĂŁo
Na reuniĂŁo de instalação da comissĂŁo especial que vai analisar o projeto de reforma do Imposto de Renda (PL 1087/25), o relator, deputado Arthur Lira (PP-AL), apresentou uma análise preliminar da proposta e adiantou pontos os quais considera ser necessário aprimorar. Ele admitiu, por exemplo, rever as alĂquotas de impostos para quem ganha mais de R$ 600 mil por ano.
Na reunião, o deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA) foi confirmado na presidência do colegiado. No cronograma inicial proposto, o relatório deve ser apresentado no dia 27 de junho, e a votação na comissão está prevista para o dia 16 de julho.
O projeto que a comissĂŁo vai analisar, enviado pelo Poder Executivo ao Congresso em março, isenta a pessoa fĂsica que ganha atĂ© R$ 5 mil mensais do pagamento do Imposto de Renda. AlĂ©m disso, quem tem rendimentos entre R$ 5 mil e R$ 7 mil por mĂŞs vai pagar uma alĂquota reduzida.
Como forma de compensar a perda de arrecadação com a medida, estimada pelo governo em R$ 20,5 bilhões em 2026, o Executivo propõe aumentar a tributação de quem ganha mais de R$ 50 mil mensais, ou R$ 600 mil anuais.
AlĂquotas
Nesse caso, a partir de R$ 600 mil anuais haverá uma alĂquota crescente que chega ao máximo de 10% para quem ganhar R$ 1,2 milhĂŁo ou mais no ano. “A escolha da alĂquota de 10% ocorreu devido ao fato de ser a alĂquota mediana da tributação dos paĂses da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento EconĂ´mico (OCDE), que varia entre 5% e 15%”, explicou Lira.
Essa alĂquota Ă© um dos pontos que Arthur Lira pode rever em seu parecer. “Em que pesem os argumentos de que eventual mudança na alĂquota poderia deixar o projeto de lei desequilibrado, isto nĂŁo significa que tal alĂquota nĂŁo possa ser alterada ou que nĂŁo possam ser buscadas medidas compensatĂłrias alternativas”, disse o relator.
Seria uma forma, segundo Lira, de compensar a alta carga tributária sobre o consumo. “É de se notar que as pessoas fĂsicas sĂŁo afetadas no PaĂs nĂŁo apenas pela tributação da renda, mas tambĂ©m pela do consumo, e temos uma das mais elevadas cargas tributárias do mundo em relação a este”, justificou.
Estados e municĂpios
Arthur Lira ainda ressaltou ainda que a proposta do governo tem impacto sobre as finanças de estados e municĂpios. Ele citou estudo da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados que aponta perdas de arrecadação para os entes federados com as mudanças.
“O estudo afirma que os municĂpios menores terĂŁo ganhos, mas municĂpios acima de 50 mil habitantes e os estados terĂŁo perdas. EntĂŁo, a gente vai ter que estimar quem ganha, quem perde, quanto perde, como Ă© que equilibra isso para que a gente nĂŁo tenha nenhum tipo de pressĂŁo alheia Ă vontade de todos deputados e deputadas no Plenário desta Casa”, ressaltou.
Investimentos
O relator destacou ainda a necessidade de ponderar os efeitos que as mudanças na arrecadação do imposto de renda podem ter para os investimentos externos no Brasil. Na opinião de Lira, é preciso trabalhar com cuidado para evitar qualquer tipo de turbulência.
O presidente da comissão especial explicou que o prazo regimental para a comissão analisar a proposta é de dez sessões do plenário a partir da instalação. Rubens Pereira Junior disse ainda que pretende realizar audiências públicas itinerantes nos estados para ampliar o debate sobre o projeto, mas quer concluir o trabalho ainda neste semestre.
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Reportagem – Maria Neves
Edição – GeĂłrgia Moraes




