O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), LuĆs Roberto Barroso, negou nesta quarta-feira (4) que a Corte esteja legislando ao decidir sobre a responsabilização das redes sociais pelos conteĆŗdos ilegais postados pelos usuĆ”rios.

A declaração do ministro foi feita no inĆcio da sessĆ£o no qual a Corte retomou a analise da constitucionalidade do Marco Civil da Internet.Ā
Barroso rebateu crĆticas de que o Supremo estĆ” invadindo a competĆŖncia do Congresso ao tratar da matĆ©ria e que os ministros estariam promovendo censura dos usuĆ”rios das plataformas. Segundo o ministro, estĆ£o sendo julgados casos concretos em que hĆ” litĆgio judicial.
“Os critĆ©rios adotados pelo tribunal para decidir os casos trazidos perante ele só prevalecerĆ£o atĆ© que o Congresso Nacional legisle, se e quando entender que deve legislar a respeito. Quando o Congresso legislar, Ć© a vontade do Congresso que serĆ” aplicada pelo STF, desde que compatĆvel com a Constituição”, afirmou.Ā
O ministro tambĆ©m criticou a polarização polĆtica que envolve a discussĆ£o sobre a responsabilização das redes.
“NĆ£o importa se vocĆŖ Ć© liberal, conservador ou progressista. NĆ£o pode ter pornografia infantil nas redes, nĆ£o pode ter terrorismo, nĆ£o pode ter venda de drogas. A polarização fez com que as pessoas nĆ£o conseguissem construir nem o que Ć© de senso comum”, completou.
Neste momento, o ministro André Mendonça profere seu voto sobre a questão. Faltam os votos de sete ministros.
A Corte julga a constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), norma que estabeleceu os direitos e deveres para o uso da internet no Brasil.
De acordo com o dispositivo, “com o intuito de assegurar a liberdade de expressĆ£o e impedir a censura”, as plataformas só podem ser responsabilizadas pelas postagens de seus usuĆ”rios se, após ordem judicial, nĆ£o tomarem providĆŖncias para retirar o conteĆŗdo.




