ConheƧa os desafios dos trabalhadores do carnaval de Salvador


Enquanto os trios elétricos cruzam os circuitos e os foliões vibram ao som das grandes atrações hÔ uma engrenagem invisível que mantém o carnaval em movimento. São milhares de profissionais que garantem o funcionamento da festa, da limpeza das ruas ao som impecÔvel dos shows. Mas para esses trabalhadores a rotina nem sempre é de celebração. Por exemplo, os cordeiros, responsÔveis por garantir a segurança dos foliões nos blocos, enfrentam jornadas exaustivas e infraestrutura precÔria. Para o presidente do Sindicordas, Matias Santos, é preciso um olhar mais empÔtico e cuidadoso para com esses profissionais. 

“Poderia se colocar um espaƧo de convivĆŖncia para a categoria onde a gente poderia trocar de fardamento, dar um lanche adequado, um sopĆ£o, um almoƧo ou atĆ© mesmo uma fruta, maçã, banana, para que o cordeiro pudesse ter a nutrição adequada durante a jornada de trabalho. Esse espaƧo de convivĆŖncia Ć© um espaƧo que o cordeiro pode descansar, nĆ£o precisar ir para a periferia, fazer as suas necessidades fisiológicas.”

Mas não são apenas os cordeiros que vivem os bastidores do carnaval. A equipe de limpeza é fundamental para a manutenção dos circuitos. Lucia Fernanda dos Santos, margarida hÔ nove anos, relata os desafios da profissão e relembra momentos de reconhecimento de alguns foliões.

“Em relação Ć  nossa rotina de trabalho, Ć© essencial para o meu dia a dia onde me deparo com vĆ”rios tipos de pessoas, pessoas de vĆ”rias personalidades, pessoas que umas me tratam super bem, outras nĆ£o. EĀ o desafio que a gente passa tambĆ©m Ć© um pouco de falta de consciĆŖncia de alguns foliƵes que passam, jogam lixo no chĆ£o e, Ć s vezes, nĆ£o dĆ£o nenhum bom dia. EĀ o que mais me motivou tambĆ©m aĀ trabalhar nos circuitos, na operaçãoĀ carnaval, foi a gratidĆ£o de alguns foliƵes quando a gente passa varrendo, fazendo os nossos trabalhos, que eles chegam, dĆ£o um abraƧo, pedem para tirar foto e o que mais me marcou foi quando a gente passou no circuito, todo mundo varrendo e que todo mundo aplaudiu. Isso para mim ficou marcado e, atĆ© hoje, eu nĆ£o consigo esquecer. Ɖ muito gratificante.”

Outra peça essencial na festa são os profissionais de Ôudio, que garantem a qualidade do som nos trios e camarotes. O engenheiro de Ôudio Caetano Bezerra, que trabalha no carnaval desde os anos 2000, e jÔ passou pelo cortejo afro, camarote 2222 e trio de Carlinhos Brown, destaca que assumir a função no período carnavalesco é uma tarefa nada fÔcil. 

“Uma coisa que atrapalha muito a equipe tĆ©cnica sĆ£o pessoas que nĆ£o estĆ£o envolvidas com o evento, com a banda, e ficam ali em cima do palco, em cima do trio. Isso atrapalha, Ć s vezes, fica tĆ£o lotado que vocĆŖ nĆ£o tem espaƧo paraĀ desenvolver o meu trabalho. JĆ” aconteceu de derramarem bebidas em equipamento, jĆ” aconteceu de desligar oĀ equipamento, e a gente trabalhando: – Ah, carrega meu celular aqui.Ā Isso desconcentra, ou atĆ©, sem vocĆŖ mesmo esperar, estĆ” lĆ” a pessoa mexendo no equipamento, plugando o celular sem pedir autorização. EntĆ£o, isso Ć© um caso que incomoda muito e atrapalha.”

A medida que a festa acontece e embala os foliões é importante lembrar que por trÔs de toda essa folia hÔ trabalho, dedicação e compromisso. A celebração vai além do que se vê, é um esforço coletivo que merece reconhecimento e valorização. 




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