Uma decisĂŁo do ComitĂŞ OlĂmpico Internacional, COI, sobre categorias femininas em competições foi elogiada pela relatora especial da ONU sobre ViolĂŞncia contra Mulheres, Reem Alsalem.*
Em comunicado, ela afirmou que a adoção da nova medida pelo COI, anunciada em 26 de março, visa proteger a categoria feminina no esporte.
Teste do gene SRY
Para a relatora, “a nova polĂtica está fundamentada no bom senso, em fatos e na ciĂŞncia” e deve levar dignidade, equidade e segurança para mulheres e meninas no esporte olĂmpico”.
Reem Alsalem destaca que a polĂtica do COI limita a elegibilidade para qualquer categoria feminina nos Jogos OlĂmpicos e em todos os outros eventos do COI a mulheres biolĂłgicas, conforme determinado pelo teste do gene SRY, com avaliação adicional em casos raros envolvendo diferenças especĂficas nas condições de desenvolvimento sexual.Â
De acordo com evidĂŞncias cientĂficas, a presença do gene SRY Ă© fixa ao longo da vida e Ă© um indicador altamente preciso do desenvolvimento sexual masculino.Â
O teste, realizado com amostra de saliva, coleta bucal ou amostra de sangue, geralmente Ă© feito uma vez na vida e nĂŁo Ă© um procedimento invasivo.
Normas internacionais
A relatora descreve “esta polĂtica como um passo necessário, proporcional e legĂtimo para garantir a proteção de mulheres e meninas, em conformidade com o direito e as normas internacionais de direitos humanos. Abordagens baseadas em evidĂŞncias, incluindo o reconhecimento da realidade material do sexo, devem orientar o desenvolvimento, o monitoramento e a revisĂŁo das polĂticas esportivas em todos os nĂveis”.
Reem Alsalem já havia expressado preocupação com os impactos nos direitos humanos da antiga “Estrutura sobre Equidade, InclusĂŁo e NĂŁo Discriminação com Base na Identidade de GĂŞnero e Variações Sexuais” do COI, alertando que a erosĂŁo das categorias exclusivamente femininas poderia expor as atletas a danos fĂsicos e psicolĂłgicos, incluindo lesões, perda de privacidade e autoexclusĂŁo do esporte.
Perda de oportunidades
Em relatórios à Assembleia Geral da ONU e ao Conselho de Direitos Humanos, Alsalem enfatizou que a substituição das categorias de competição femininas por categorias mistas leva as atletas a perderem oportunidades, incluindo medalhas, e dificulta a identificação de desigualdades e vulnerabilidades baseadas no sexo.
A relatora lembra que “ao contrário do que foi noticiado, a polĂtica nĂŁo desqualifica ninguĂ©m de participar em desportos ou de competir profissionalmente em categorias correspondentes ao seu sexo biolĂłgico. Pelo contrário, garante que as mulheres e as raparigas nĂŁo sejam prejudicadas ou excluĂdas de uma competição justa e significativa na sua prĂłpria categoria”.
Ela apelou a todas as partes interessadas, incluindo os meios de comunicação social, para que reportem a polĂtica de forma factual e se abstenham de divulgar informações erradas.
Medalhas retroativas
Alsalem afirmou que, embora a polĂtica nĂŁo seja retroativa, nĂŁo impede o COI de dar soluções adequadas Ă s injustiças passadas, como pedir desculpas Ă s atletas femininas que tiveram a competição justa negada e considerar a atribuição retroativa de medalhas paralelas.
A especialista instou as associações desportivas, tanto competitivas como nĂŁo competitivas, a alinharem as suas polĂticas com as normas do ComitĂ© OlĂmpico Internacional para a proteção da categoria feminina no desporto.
*Os relatores de direitos humanos são independentes da ONU e não recebem salário pelo seu trabalho.
Com informações do Alto Comissariado de Direitos Humanos.




