A versĂŁo original de esta histĂłria apareceu em Revista Quanta.
Se existe uma lei da fĂsica que parece fácil de compreender, Ă© a segunda lei da termodinâmica: o calor flui espontaneamente dos corpos mais quentes para os mais frios. Mas agora, gentilmente e quase casualmente, Alexssandre de Oliveira Jr. acabou de me mostrar que eu realmente nĂŁo entendia nada.
Tome esta xĂcara de cafĂ© quente e esta jarra de leite fria, disse o fĂsico brasileiro enquanto estávamos sentados em um cafĂ© em Copenhague. Coloque-os em contato e, com certeza, o calor fluirá do objeto quente para o frio, assim como o cientista alemĂŁo Rudolf Clausius declarou formalmente pela primeira vez em 1850. No entanto, em alguns casos, explicou Oliveira, os fĂsicos aprenderam que as leis da mecânica quântica podem conduzir o fluxo de calor no sentido oposto: do frio para o quente.
Isso realmente nĂŁo significa que a segunda lei falhe, acrescentou ele enquanto seu cafĂ© esfriava de forma tranquilizadora. Acontece que a expressĂŁo de Clausius Ă© o “limite clássico” de uma formulação mais completa exigida pela fĂsica quântica.
Os fĂsicos começaram a apreciar a subtileza desta situação há mais de duas dĂ©cadas e tĂŞm explorado a versĂŁo mecânica quântica da segunda lei desde entĂŁo. Agora, de Oliveira, pesquisador de pĂłs-doutorado na Universidade TĂ©cnica da Dinamarca, e colegas mostraram que o tipo de “fluxo de calor anĂ´malo” permitido na escala quântica poderia ter um uso conveniente e engenhoso.
Pode servir, dizem eles, como um mĂ©todo fácil para detectar a “quantidade” – sentindo, por exemplo, que um objecto está numa “superposição” quântica de mĂşltiplos estados observáveis ​​possĂveis, ou que dois desses objectos estĂŁo emaranhados, com estados que sĂŁo interdependentes – sem destruir esses delicados fenĂłmenos quânticos. Essa ferramenta de diagnĂłstico poderia ser usada para garantir que um computador quântico esteja realmente usando recursos quânticos para realizar cálculos. Pode atĂ© ajudar a sentir os aspectos quânticos da força da gravidade, um dos objetivos ambiciosos da fĂsica moderna. Tudo o que Ă© necessário, dizem os pesquisadores, Ă© conectar um sistema quântico a um segundo sistema que possa armazenar informações sobre ele e a um dissipador de calor: um corpo que seja capaz de absorver muita energia. Com esta configuração, vocĂŞ pode aumentar a transferĂŞncia de calor para o dissipador, excedendo o que seria permitido classicamente. Simplesmente medindo o quĂŁo quente está o dissipador, vocĂŞ poderá detectar a presença de superposição ou emaranhamento no sistema quântico.




