
Nesta quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU avalia o mais recente relatório do secretário-geral sobre a ameaça global do Estado Islâmico, Isil, também conhecido como Daesh. O grupo é considerado terrorista pelo Conselho.
A chefe de gabinete no Escritório da ONU de Contraterrorismo, Oguljeren Niyazberdiyeva, ressaltou os desafios atuais, incluindo a ascensão do Estado Islâmico na África Ocidental como o afiliado global mais ativo do grupo.
República Democrática do Congo e Moçambique
Segundo ela, a divisão do Isil demonstra “uma capacidade crescente de adquirir e empregar tecnologia de drones comerciais”. Ao mesmo tempo, na República Democrática do Congo e em Moçambique, na região de Cabo Delgado, as ramificações do grupo mantêm-se resilientes.
Apesar da contínua pressão das operações de combate ao terrorismo, os ataques persistem, ampliando o recrutamento e alargando o raio de ação dessas redes.
Vários membros do Conselho de Segurança reiteraram a condenação unânime ao terrorismo
A representante da Direção Executiva do Comitê contra o Terrorismo, Carmen Cantor, frisou a importância da cooperação internacional.
Vigilância constante
Segundo Cantor, no último semestre, o Daesh e seus afiliados demonstraram uma notável capacidade de adaptação e resistência. O desafio é de alcance global, com o continente africano continuando a suportar um impacto desproporcional.
Ao mesmo tempo, os desdobramentos no Iraque e na Síria reforçam a necessidade premente de vigilância constante em um cenário onde as crises humanitárias decorrentes permanecem críticas.
Concluído em julho, o estudo ilustra um panorama de mutação da rede terrorista: embora sua influência tenha diminuído em certas regiões, o grupo demonstra resiliência por meio da descentralização, do avanço tecnológico e da expansão no continente africano.
Principais Destaques
Entre os pontos mais importantes apresentados na reunião contam-se o golpe na liderança. Em meados de maio, uma ação conjunta entre a Nigéria e os Estados Unidos no estado de Borno resultou na morte de importantes lideranças do grupo.
No período foi neutralizado o vice-líder global do Daesh, Abu Bakr ibn Muhammad ibn Ali al-Mainuki, e o chefe do Diretório Geral de Províncias numa ação que deve impactar temporariamente a coordenação internacional da rede.
O grupo terrorista teve expansão para a África, continente que se consolidou como o epicentro das operações, principalmente da afiliada mais ativa globalmente.
Após o fechamento do acampamento de al-Hol em fevereiro, entre 15 mil e 20 mil pessoas a maioria mulheres e crianças com laços familiares com o grupo permanecem em paradeiro desconhecido
O avanço no Grande Saara do remo do Isil expandiu de forma significativa sua capacidade operacional na região, tendo o Níger como principal alvo. O país concentrou 75% dos ataques em 2026, incluindo um atentado ao aeroporto internacional de Niamey.
Reconfiguração Territorial e Crise Humanitária
No nordeste da Síria, uma nova configuração territorial alterou profundamente o cenário local. O relatório aponta que, após o fechamento do acampamento de al-Hol em fevereiro, entre 15 mil e 20 mil pessoas a maioria mulheres e crianças com laços familiares com o grupo permanecem em paradeiro desconhecido.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, alerta que milhares de crianças continuam extremamente vulneráveis ao tráfico humano e ao recrutamento por grupos armados.
Em contrapartida, o Isil registra enfraquecimento no Iraque, onde atinge seu nível mais baixo, reduzido a poucos elementos. O governo iraquiano concluiu as repatriações dos acampamentos de Al-Hol e Al-Roj, totalizando mais de 21,5 mil cidadãos repatriados desde 2021.
Observa-se, ainda, a persistência do grupo no Afeganistão. A afiliada Isil-K mantém o objetivo de realizar ataques internacionais de grande impacto, apesar das perdas sofridas em operações das autoridades locais e do Paquistão.
Debates no Conselho de Segurança
Diante dos dados apresentados, vários membros do Conselho de Segurança reiteraram a condenação unânime ao terrorismo enquanto debatem as dinâmicas políticas internas.
As discussões enfatizam a necessidade de abordagens preventivas e globais, apoio financeiro e logístico para respostas lideradas por países africanos e combate ao uso de novas tecnologias pelo terrorismo, como drones, inteligência artificial e ativos virtuais.
O Conselho ressaltou, ainda, o apelo para que os Estados-membros da ONU repatriem, de forma segura, voluntária e digna, seus nacionais ainda retidos em campos no Oriente Médio.




