MĂ©xico acusa setores dos EUA de ingerĂȘncia em assuntos internos


A presidente do México, Claudia Sheinbaum, acusou setores do governo dos Estados Unidos (EUA) de, por meio de campanhas midiåticas e de desinformação, tentarem interferir nos assuntos internos mexicanos.

Ela sugeriu que o objetivo seria influenciar as eleiçÔes de 2027, que renova a Cùmara mexicana e os governos estaduais.

Em discurso que marcou os dois anos do seu mandato na presidĂȘncia do paĂ­s, Sheinbaum enfatizou que a luta contra o crime organizado Ă© uma responsabilidade compartilhada por todos os estados.

“Mas essa luta não pode servir de desculpa para enfraquecer princípios fundamentais do direito internacional, como a não intervenção e o respeito pela autodeterminação dos povos”, disse a presidente, no domingo (31).

Ainda em janeiro deste ano, o presidente dos EUA, Donald Trump, cogitou atacar o MĂ©xico “por terra” com a justificativa de combater os cartĂ©is de drogas. Em março, o secretĂĄrio de Estado Marco RĂșbio ameaçou “agir sozinho” nos paĂ­ses latino-americanos “se necessĂĄrio”, tambĂ©m usando os cartĂ©is como justificativa. 

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Claudia isenta Trump

Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (1), a presidenta mexicana disse nĂŁo acreditar que o presidente Donald Trump esteja por trĂĄs dessas ingerĂȘncias, mas sim setores do governo da Casa Branca, em parceria com grupos conservadores dentro do MĂ©xico.

“Nós sempre conversamos. Ele me diz o que pensa, e eu digo o que penso, e sempre chegamos a um acordo. Então, vamos torcer para que isso seja um problema apenas de certos setores”, respondeu a um jornalista.

CIA e cartéis

Claudia Sheinbaum citou o episĂłdio em que dois agentes da CIA [AgĂȘncia de InteligĂȘncia dos EUA] morreram em um acidente de carro no estado de Chihuahua. Os agentes nĂŁo tinham autorização para estar no MĂ©xico.

“Nenhum agente estrangeiro pode desempenhar funçÔes que sejam de responsabilidade exclusiva das autoridades mexicanas. Qualquer pessoa que venha ao nosso paĂ­s deve fazĂȘ-lo com respeito Ă  nossa soberania, apresentando suas credenciais de acordo com a lei e cumprindo nossos regulamentos”, afirmou.

Sheinbaum acrescentou que, ainda mais grave que o episĂłdio com a CIA, foi o pedido do Departamento de Justiça dos EUA para extraditar, sem apresentação de provas, dez mexicanos por suposta relação com o narcotrĂĄfico, incluindo um governador, um prefeito e um senador da RepĂșblica.

“Um evento desta magnitude Ă© inĂ©dito na histĂłria de nossa relação bilateral”, criticou a chefe de Estado, questionando se existiria mesmo um interesse legĂ­timo de Washington de ajudar o MĂ©xico.

“Ou serĂĄ que estamos testemunhando como setores da extrema direita americana estĂŁo usando nosso paĂ­s para se posicionarem para as eleiçÔes de 2026? Ou serĂĄ que pretendem influenciar as eleiçÔes de 2027 em nosso paĂ­s?”, questionou.

A presidente do MĂ©xico justificou que Ă© legĂ­timo questionar o interesse dos EUA na extradição de autoridades mexicanas eleitas, dizendo que “nĂŁo estamos mais falando de cooperação, estamos falando de interferĂȘncia”.

Cooperação e subordinação

A presidente do México destacou que o governo segue comprometido com o combate a corrupção e o narcotråfico e citou a queda de 49% nos homicídios dolosos em 20 meses de governo.

Por outro lado, acrescentou não pode permitir que o Departamento de Justiça dos EUA peça a extradição de mexicanos sem apresentar provas.

“Cooperação nĂŁo significa subordinação, e colaboração nĂŁo significa submissĂŁo. A histĂłria do MĂ©xico nos ensinou que nenhum povo mantĂ©m sua liberdade se permitir que interesses estrangeiros decidam seu destino”, completou.



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