O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu suspender cláusulas do dissĂdio coletivo que encerrou a greve dos trabalhadores dos Correios no final do ano passado. A decisĂŁo foi proferida nesta segunda-feira (26).

A suspensão atinge os pagamentos do vale-alimentação extra, da convocação para trabalho em dia de descanso, gratificação de férias e envolve o plano de saúde da categoria.
Moraes atendeu ao pedido de suspensĂŁo feito pelos advogados da estatal. A defesa dos Correios sustentou que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) extrapolou seu poder normativo ao fixar os benefĂcios, que passaram a valer no dia 19 deste mĂŞs.Â
Os advogados tambĂ©m citaram os impactos financeiros no caixa da empresa pĂşblica, que apresentou prejuĂzo de R$ 6 bilhões no ano passado.
Impactos financeiros
Os Correios afirmaram ao ministro que o pagamento do vale alimentação extra terá impacto de R$ 213,2 milhões. A determinação para que a empresa fique na condição de mantenedora do plano de saúde dos trabalhadores ficará em R$ 1,4 bilhão.
O pagamento de 200% sobre a jornada normal de trabalho aos empregados que forem convocados para trabalhar no dia de repouso semanal terá custo de R$ 17 milhões. A gratificação de férias de 70% sobre o salário custará R$ 272,9 milhões.
Ao analisar os argumentos, Moraes concordou com a alegação de extrapolação dos poderes de Justiça trabalhista e determinou a suspensĂŁo dos benefĂcios atĂ© o fim da tramitação do processo na Corte.
“Quanto ao risco de dano, demonstrou-se detalhadamente na inicial o elevado impacto financeiro da implementação de cada parcela, bem como a periclitante situação financeira por que passa a empresa requerente”, disse o ministro.
As demais cláusulas do dissĂdio nĂŁo foram questionadas pelos Correios e continuam válidas.
Outro ladoÂ
Em nota, o Sintect-SP, sindicato que representa a categoria, manifestou indignação com a decisĂŁo da direção dos Correios de recorrer ao STF para contestar o dissĂdio.
Segundo a entidade, o TST nĂŁo criou novos benefĂcios e manteve os já existentes para evitar perdas para a categoria.
“A decisĂŁo do TST sĂł ocorreu porque a prĂłpria empresa se recusou a firmar um acordo com os sindicatos durante as negociações. Diante do impasse, a Justiça do Trabalho atuou para preservar direitos já conquistados pelos trabalhadores. Mesmo assim, os Correios optaram por levar o caso ao STF, tentando suspender essa decisĂŁo e reacendendo o conflito com a categoria”, disse o sindicato. Â




