Vinte e sete egressos dos sistemas prisional e socioeducativo e familiares assinam trabalhos na exposição, âCoexistir Habitarâ, em cartaz num espaço de arte contemporĂąnea, instalado em imponente casarĂŁo do sĂ©culo 19, no centro histĂłrico da cidade do Rio de Janeiro.

A mostra no Largo das Artes é resultado de curso realizado no Museu da Vida Fiocruz, que trabalhou o projeto como ferramenta de escuta e reconstrução de trajetórias.
Segundo o curador Jean Carlos Azuos, a iniciativa coloca a arte como um direito de todos…
âAntes de ser apenas um espaço de exposição, ele afirma o fazer artĂstico como um direito. Produzir arte nĂŁo Ă© privilĂ©gio, Ă© possibilidade legĂtima de existĂȘncia. Quando essas obras ganham visibilidade, algo se transforma, muda o reconhecimento do pĂșblico, muda tambĂ©m a forma como esses artistas passam a ser vistos por suas famĂlias, suas redes de afeto. Se antes havia um estigma, agora hĂĄ reconhecimento. A exposição inverte essa lĂłgica e nos convida a celebrar essas potĂȘncias que sĂŁo essas pessoasâ.
Jean Carlos fala tambĂ©m sobre as escolhas temĂĄticas da exposição…
âA mostra é atravessada por uma relação intensa entre a arte e vida. As obras abordam a espiritualidade, cotidiano, relaçÔes familiares, experiĂȘncias de trabalho e a presença de corpos negros perifĂ©ricos na cidade, em linguagens diversas, como pintura, vĂdeo, escultura e instalação. Ă possĂvel compreender aspectos dessas realidades por meio dos trabalhos, mas a exposição nĂŁo se limita Ă narrativa da privação da liberdade. NĂŁo hĂĄ compromisso exclusivo com a denĂșncia, mas com a criação. SĂŁo produçÔes esteticamente consistentes, que poderiam ocupar qualquer museu ou galeria no paĂsâ.
Ao ocupar o Largo das Artes, sede de projetos artĂsticos de vĂĄrios paĂses, a mostra tambĂ©m cria um encontro simbĂłlico entre territĂłrios historicamente marginalizados e o circuito cultural tradicional carioca. O curador reforça essa importĂąncia..
âEstar no circuito cultural tradicional Ă© um gesto de reposicionamento. Insere essas produçÔes no debate pĂșblico e tenciona o prĂłprio sistema das artes. A exposição afirma que esses artistas nĂŁo se reduzem a um episĂłdio de suas biografias, mas pelo contrĂĄrio, sĂŁo sujeitos mĂșltiplos, criadores livres no exercĂcio do fazerâ.
Além da mostra, o projeto conta com atraçÔes variadas, como detalha Jean Carlos.
âA programação prevĂȘ encontros com artistas, rodas de conversa e açÔes mediadas por educadores, interlocutores, a exposição se desdobra em atividades artĂstico-pedagĂłgicas ao longo de todo o perĂodo em cartaz, ampliando assim o diĂĄlogo com os diferentes pĂșblicos. Ă, nĂŁo Ă© apenas sĂł a mostra, Ă© um espaço contĂnuo de troca, de reflexĂŁo, de partilhaâ.
A exposição âCoexistir Habitarâ tem entrada gratuita, com visitação atĂ© 25 de abril, de terça a sĂĄbado, das 10h Ă s 17h. Anote o endereço: Rua LuĂs de CamĂ”es, regiĂŁo central da cidade.Â




