O descumprimento da polĂtica de cotas nos programas de residĂȘncia mĂ©dica levou o MinistĂ©rio PĂșblico Federal (MPF) a entrar com uma ação civil pĂșblica para que o Hospital Israelita Albert Einstein, de SĂŁo Paulo, implemente a polĂtica de açÔes afirmativas. Os procuradores pedem a abertura de editais complementares ainda no atual processo seletivo, de 2026, com a destinação de vagas para candidatos com deficiĂȘncia, negros, indĂgenas, quilombolas e pessoas trans, conforme os percentuais definidos pelas normas vigentes.

“Para o MPF, a aplicação da polĂtica de cotas Ă© fundamental para garantir igualdade de oportunidades a esses candidatos, de forma que a composição do corpo de mĂ©dicos residentes represente de maneira efetiva a pluralidade Ă©tnica e sociocultural da sociedade brasileira”, destaca o MinistĂ©rio PĂșblico Federal em nota.
O MinistĂ©rio PĂșblico Federal aponta que, segundo os dados mais recentes, os negros representam a maioria da população, mas ocupam apenas 27,5% das vagas de residĂȘncia na instituição. Por outro lado, 70,1% dos mĂ©dicos residentes sĂŁo autodeclarados brancos.
O ĂłrgĂŁo ressalta que “a aplicação de açÔes afirmativas nas residĂȘncias mĂ©dicas Ă© obrigatĂłria, mesmo em instituiçÔes de direito privado”, pois os programas envolvem o treinamento em serviço no Ăąmbito do Sistema Ănico de SaĂșde (SUS), de acordo com regulamentação do governo federal, de 2025.
“Contudo, no processo seletivo 2026, a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein optou por nĂŁo reservar vagas para minorias Ă©tnico-raciais e grupos vulnerabilizados, desrespeitando as regras estabelecidas pelo MinistĂ©rio da SaĂșde (MS)”, diz a nota.
O MPF lembra que o Albert Einstein “Ă© subsidiado por recursos pĂșblicos indiretos, pois se beneficia de expressiva exoneração fiscal, sob forma de imunidade tributĂĄria federal”, conforme a peça assinada pela procuradora da RepĂșblica Ana LetĂcia Absy. O hospital estĂĄ isento do recolhimento de contribuiçÔes federais, como as destinadas Ă seguridade social.
âO gozo de benefĂcios fiscais e a utilização de recursos pĂșblicos conferem Ă entidade obrigaçÔes positivas correlatas, que incluem a adoção de medidas concretas voltadas Ă promoção da igualdade material e Ă redução de desigualdades histĂłricasâ, afirma a procuradora.
Em abril deste ano, o MPF jĂĄ havia se posicionado pela obrigatoriedade da reserva de vagas em certames para residĂȘncia mĂ©dica. A Nota TĂ©cnica PFDC nÂș 10/2026, da Procuradoria Federal dos Direitos do CidadĂŁo, concluiu que a aplicação das cotas “nesses casos nĂŁo constitui mera discricionariedade administrativa da instituição de ensino”.
Em nota enviada Ă AgĂȘncia Brasil, o Hospital Albert Einstein afirmou que, atĂ© o momento, nĂŁo foi citado sobre a ação, por isso, nĂŁo tem conhecimento sobre o conteĂșdo do processo.




