03/06/2025 – 14:27 Â
Renato AraĂșjo/CĂąmara dos Deputados
Primeira reuniĂŁo de mulheres do BRICS
Mulheres parlamentares do BRICS manifestaram preocupação com o risco de que ferramentas de inteligĂȘncia artificial (IA) reforcem desigualdades de gĂȘnero, apesar de seu potencial de transformar as sociedades. O tema foi tratado na primeira sessĂŁo reuniĂŁo das parlamentares.
Na avaliação da deputada Jack Rocha (PT-ES), coordenadora-geral da Secretaria da Mulher da CĂąmara dos Deputados, a sub-representação feminina nas equipes de desenvolvimento tecnolĂłgico limita a diversidade na perspectiva e nas soluçÔes. “Algoritmos criados por homens reproduzem preconceitos e desigualdades histĂłricas. E a automação ameaça setores com alta concentração feminina, como serviços e educaçãoâ, observou. Ela defendeu que a revolução das IAs seja inclusiva.
A deputada Delegada Katarina (PSD-SE) lembrou que ferramentas desse tipo abrem novos espaços para a vida polĂtica, o que torna urgente construir uma governança digital capaz de prevenir formas mais sofisticadas de exclusĂŁo e violĂȘncia. âĂ imprescindĂvel que os parlamentos formulem marcos legais para que o uso da IA respeite os direitos humanos, e para que os avanços tecnolĂłgicos promovam a inclusĂŁo feminina na economia digitalâ, disse.
Exemplos
Representantes de outros parlamentos apresentaram exemplos de como seus paĂses estĂŁo lidando com a inclusĂŁo de mulheres no contexto de crescimento da IA.
Sara Falaknaz, parlamentar dos Emirados Ărabes Unidos, afirmou que seu paĂs vĂȘ a transformação digital como poderoso catalisador para a igualdade de gĂȘnero. âNossa estratĂ©gia nacional para o empoderamento das mulheres prioriza a liderança feminina em setores futuros, incluindo IA. Hoje, as mulheres constituem mais da metade de nossa força de trabalho no setor espacialâ, comentou.
Membro do Congresso Nacional do Povo da China, Qian Fangli destacou que, em seu paĂs, as mulheres representam mais da metade dos empresĂĄrios de internet e 45% dos trabalhadores de tecnologia.
A deputada Iza Arruda (MDB-PE) chamou a atenção para o uso de medidas legislativas capazes enfrentar os riscos da evolução tecnolĂłgica para as mulheres. Ela destacou principalmente a Lei 15.123/25, que agrava o crime de violĂȘncia psicolĂłgica contra mulheres quando praticados com uso de inteligĂȘncia artificial. âO universo digital nĂŁo pode ser terra sem lei. Crimes on-line tĂȘm que ser punidos com rigor.â
Outros temas
Sobre mudanças climĂĄticas, as participantes da reuniĂŁo disseram que as mulheres sĂŁo atingidas de forma desigual. âInundação, secas e deslocamentos forçados impĂ”em desafios. Vamos discutir como as mulheres podem e devem ser protagonistas nas polĂticas de adaptação e mitigação e na construção de estratĂ©gias climĂĄticas que integrem justiça ambiental e justiça socialâ, defendeu a senadora Leila Barros (PDT-DF).
A deputada Jack Rocha reforçou que essas mudanças não são neutras, por isso as mulheres devem estar no centro da construção de respostas.
Para construir soluçÔes, Leila Barros e Jack Rocha acreditam em um BRICS feminino que valorize a pluralidade de experiĂȘncias e o papel das mulheres no sĂ©culo 21.
Reportagem â Noeli Nobre
Edição â Rachel Librelon




