Nesta terƧa-feira, o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, acolheu um painel de alto nĆvel sobre como racismo e a discriminação racial enfraquecem a democracia e reduzem a participação das pessoas em questƵes pĆŗblicas e polĆticas.
No evento, a ministra da Igualdade Racial no Brasil, Anielle Franco, disse que para que a democracia prospere devem ser demolidas as desigualdades sistĆŖmicas que historicamente excluĆram algumas pessoas da tomada de decisƵes. Entre os mais afetados estĆ£o afrodescendentes, povos indĆgenas, mulheres e outras comunidades marginalizadas.Ā
Construção de democracias inclusivas
Falando em inglês, Anielle Franco disse que o Brasil foi pioneiro resoluções que unem o mundo hoje e, por isso, acredita que a justiça racial e a democracia são inseparÔveis.
Ela crĆŖ tambĆ©m que a construção de democracias verdadeiramente inclusivas requer polĆticas internacionais promovendo a igualdade racial, ampliando a representação polĆtica e combatendo o discurso de ódio e a violĆŖncia racial em todas as suas formas.
Mais de 40 oradores discursaram no evento que tambƩm recolhe recomendaƧƵes
JÔ a vice alta comissÔria para os Direitos Humanos, Nada Al-Nashif, disse que jÔ é notado que racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância correlata permeiam as estruturas e o discurso democrÔticos.
Mas assinalou as consequĆŖncias dessa situação que incluem prejuĆzos āaos próprios fundamentos da democracia e a coesĆ£o social que a protegeā.
Onda de narrativas nocivas
Ela falou da incitação, discriminação, hostilidade ou violĆŖncia ao assinalar um mundo vivendo āuma onda de narrativas nocivas e desumanizadoras que alimentam o medo e a divisĆ£o, alĆ©m de incitar o ódio e a violĆŖnciaā.
Com pessoas de ascendĆŖncia africana, migrantes, refugiados, povos roma e sinti, indĆgenas e outras minorias como alvo.
Explorar os medos da população
O discurso assinala uma āretórica tóxica amplificada pelas redes sociais, e o conteĆŗdo gerado por inteligĆŖncia artificial que tambĆ©m Ć© usado para manipular a opiniĆ£o pĆŗblica e explorar os medos da populaçãoā. Nessa tendĆŖncia āalguns lĆderes polĆticos tĆŖm incentivado abertamente a discriminação para ganho polĆtico.ā
Proporção de membros do Parlamento Europeu que se identificavam como pertencentes a minorias raciais e étnicas foi de cerca de 4%
Mais de 40 oradores discursaram no evento que tambĆ©m recolheu recomendaƧƵes para combater o racismo por meio de legislação, polĆticas e planos de ação.
Representação de grupos raciais
Nos exemplos de progresso e desafios persistentes de diferentes regiƵes, Al- Nashif citou dados apontando para baixos nĆveis de representação de grupos raciais e Ć©tnicos marginalizados na vida polĆtica e pĆŗblica.
Um estudo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos ilustra barreiras à participação feminina associadas à violência de gênero e a padrões históricos de discriminação decorrentes do colonialismo e da escravidão.
A vice chefe de Direitos Humanos falou ainda de uma anÔlise recente de uma organização da sociedade civil global apontando para a continuação de disparidades sobre a demografia na União Europeia.
A proporção de membros do Parlamento Europeu que se identificavam como pertencentes a minorias raciais e Ć©tnicas foi de cerca de 4% durante o perĆodo de 2019-2024.
*Eleutério Guevane é redator da ONU News Português




