Em meio ao aprofundamento das incertezas sobre o fim do conflito no Oriente MĂ©dio e Ă persistĂȘncia da crise no Estreito de Ormuz, as NaçÔes Unidas intensificam apelos para o fim da guerra em face Ă s crises em cascata.
Do estrangulamento comercial Ă disparada de preços, o cenĂĄrio atual expĂ”e a fragilidade da economia global dependente de rotas de risco e combustĂveis fĂłsseis.
UrgĂȘncia da transição energĂ©tica
Em mensagem de vĂdeo aos participantes do DiĂĄlogo ClimĂĄtico de Petersberg, nesta terça-feira, o secretĂĄrio-geral, AntĂłnio Guterres, classificou a conjuntura atual como a âcrise energĂ©tica mais grave em uma geraçãoâ.
Transporte marĂtimo segue paralisado no Estreito de Ormuz
Para Guterres, Ă© um fato cristalino que âa dependĂȘncia de combustĂveis fĂłsseis nĂŁo apenas impulsiona a destruição do planeta, mas mantĂ©m as economias mundiais como refĂ©ns da instabilidade e da escalada de custosâ.Â
O lĂder das NaçÔes Unidas defende que a energia limpa Ă© o Ășnico caminho seguro para o futuro, apelando por investimentos acelerados, infraestrutura robusta e maior financiamento para viabilizar uma transição global.
A dependĂȘncia energĂ©tica citada por Guterres choca com a crise humanitĂĄria e comercial em alto mar. A Organização MarĂtima Internacional, OMI, acompanha com âextrema preocupaçãoâ o impacto da instabilidade no transporte global.
LogĂstica no Estreito de Ormuz
Numa passagem por Cingapura, o secretĂĄrio-geral da agĂȘncia da ONU, Arsenio Dominguez, abordou os episĂłdios vivenciados pelos profissionais do mar.Â
Com o transporte marĂtimo paralisado no Estreito de Ormuz, uma das passagens logĂsticas mundiais mais importantes, cerca de 20 mil marinheiros e atĂ© 2 mil navios encontram-se retidos. O estresse e a fadiga extrema jĂĄ afetam as tripulaçÔes bloqueadas.
EmergĂȘncia humanitĂĄria persiste no LĂbano independentemente do cessar-fogo
Antes da escalada dos conflitos, iniciada em fevereiro, a via era responsĂĄvel pelo trĂąnsito de um quarto do comĂ©rcio global de petrĂłleo por mar, alĂ©m de altos volumes de gĂĄs natural e fertilizantes.Â
Dominguez apelou Ă solidariedade internacional, agradecendo aos paĂses que jĂĄ enviaram linhas de apoio e suprimentos alimentares. Ele pediu o fornecimento de internet gratuita para que as tripulaçÔes isoladas possam contatar suas famĂlias.
Gaza e LĂbano
No epicentro da crise, o impacto humano atinge nĂveis considerados insustentĂĄveis. Na Faixa de Gaza, os preços disparam e itens bĂĄsicos de sobrevivĂȘncia, como o gĂĄs de cozinha, praticamente desapareceram.Â
A escassez Ă© tĂŁo severa que muitas crianças recorrem Ă queima de pedaços de plĂĄstico e papelĂŁo para cozinhar ou se aquecer.Â
Em meio aos escombros, a AgĂȘncia da ONU para AssistĂȘncia a Refugiados Palestinos, Unrwa, ajuda a criar espaços seguros, oferecendo auxĂlio psicossocial e oportunidades de aprendizado para apoiar os jovens a lidarem com o trauma.Â
Conflito tem provocado alta generalizada nos custos de alimentos, combustĂveis e fertilizantes
JĂĄ o EscritĂłrio das NaçÔes Unidas para a Coordenação de Assuntos HumanitĂĄrios, Ocha, continua documentando as baixas diĂĄrias e os danos materiais extensivos causados por operaçÔes militares e atos de violĂȘncia em assentamentos.
Efeito cascata na economia global
No LĂbano, a emergĂȘncia humanitĂĄria persiste independentemente do cessar-fogo. As famĂlias deslocadas que tentam retornar Ă s suas casas encontram um cenĂĄrio de infraestrutura danificada e acesso severamente restrito a serviços essenciais.
A turbulĂȘncia jĂĄ se reflete no bolso dos consumidores e nas projeçÔes macroeconĂŽmicas regionais. AgĂȘncias da ONU alertam que o conflito tem provocado uma alta generalizada nos custos de alimentos, combustĂveis e fertilizantes, impactando o orçamento das populaçÔes mais vulnerĂĄveis.Â
TurbulĂȘncia jĂĄ se reflete no bolso dos consumidores e nas projeçÔes macroeconĂŽmicas regionais
Nos mercados mais próximos e globais, os preços do petróleo sofrem grandes oscilaçÔes, ditadas pelo temor de interrupçÔes prolongadas no tråfego de navios-tanque.
Desaceleração econÎmica iminente
As consequĂȘncias a longo prazo jĂĄ levam a remanejar o futuro de mercados emergentes. Um novo relatĂłrio da ComissĂŁo EconĂŽmica e Social da ONU para a Ăsia e o PacĂfico, Escap, projeta uma desaceleração econĂŽmica iminente.Â
O estudo prevĂȘ que o crescimento das economias em desenvolvimento na regiĂŁo asiĂĄtica cairĂĄ para 4% em 2026, uma queda em relação aos 4,6% registrados em 2025.Â
Ao mesmo tempo, a inflação regional deve saltar de 3,5% para 4,6%, confirmando os temores de que a instabilidade no Oriente Médio cobrarå uma fatura global e demorada.




