
No Dia Internacional para a Eliminação da ViolĂȘncia Sexual em Conflitos, neste 19 de junho, as NaçÔes Unidas afirmam que o uso do crime como tĂĄtica de guerra destrĂłi infĂąncias e exige ação global imediata.
As NaçÔes Unidas focam em crianças tidas como vĂtimas mais vulnerĂĄveis das guerras. Dados recentes revelam um cenĂĄrio alarmante e sem precedentes na histĂłria moderna, onde meninos e meninas sĂŁo deliberadamente transformados em alvos e armas de combate.
Crise humanitĂĄria global
Na vĂ©spera do Dia Internacional, a representante especial para Crianças e Conflitos Armados, Vanessa Frazier, apresentou dados coletados pelas NaçÔes Unidas. Em apenas um ano, os nĂșmeros atingiram o pior patamar das Ășltimas trĂȘs dĂ©cadas.
Lista de acompanhamento da ONU inclui 77 intervenientes armados estatais e nĂŁo estatais implicados em padrĂ”es de violĂȘncia sexual em conflitos
Frazier contou que foram mais de 38.558 violaçÔes de gĂȘnero formalmente verificadas pela ONU, sendo que 24.174 crianças foram diretamente afetadas por esses crimes em 22 situaçÔes de conflito que aconteceram em diferentes paĂses.
Para a organização, a violĂȘncia sexual, especialmente contra meninas, deixou de ser um efeito colateral da guerra para se tornar uma estratĂ©gia militar deliberada e organizada.
Para Vanessa Frazier, facçÔes e representantes de Exércitos utilizam o estupro coletivo e o abuso sistemåtico como tåticas para humilhar o inimigo, aterrorizar populaçÔes e forçar o deslocamento de comunidades inteiras.
Cicatrizes para toda a vidaÂ
Ela disse existir o uso deliberado e organizado de violĂȘncia sexual dentro dessas formaçÔes, com crianças, especialmente meninas, atacadas e abusadas como parte de comportamentos hostis.
Em sua mensagem, o secretårio-geral da ONU, António Guterres, destacou que a intensificação dos conflitos globais tem multiplicado os casos de violação, escravidão sexual, casamento forçado e tråfico infantil.
Muitos menores sĂŁo brutalizados dentro de suas prĂłprias casas ou durante tentativas desesperadas de fuga
Muitos desses menores são brutalizados dentro de suas próprias casas ou durante tentativas desesperadas de fuga. Outras enfrentam o horror duplo: são raptadas, recrutadas à força como combatentes e obrigadas a testemunhar ou até a cometer atrocidades sexuais contra seus próprios pares.
Plano de ação da ONU em trĂȘs frentes
Para o chefe da ONU, esse crime busca punir comunidades e destruir laços sociais na raiz. As consequĂȘncias sĂŁo devastadoras e permanentes, gerando graves traumas fĂsicos e psicolĂłgicos, exclusĂŁo social e estigmatização da vĂtima. Outro dano Ă© a destruição do prĂłprio conceito de infĂąncia.
Para erradicar essa prĂĄtica e reconstruir a dignidade das vĂtimas, AntĂłnio Guterres propĂ”e uma estratĂ©gia global baseada em uma trĂade fundamental dando primazia Ă proteção, para garantir a segurança imediata em ĂĄreas de crise.
Outras medidas sugeridas são responsabilização levando os autores dos crimes à justiça e, por fim a responsabilização, fortalecendo instituiçÔes e focando no bem-estar.
Para Guterres, as crianças nunca devem ser alvos na guerra e protegĂȘ-las Ă© um imperativo legal e moral para cada combatente e cada paĂs. Ele disse crer que com uniĂŁo internacional, Ă© possĂvel construir um futuro em que cada menino e menina cresça em segurança e dignidade.
âNevoeiro da guerraâ e impunidade dos autores
Dados recentes do EscritĂłrio de Pramila Patten, representante especial do secretĂĄrio-geral sobre violĂȘncia sexual em conflitos, apontam que o crime nasce de uma combinação tĂłxica.
O poder patriarcal descontrolado, gastos militares desenfreados e narrativas polĂticas que dividem naçÔes, camuflando falhas graves de governança sob o conveniente ânevoeiro da guerraâ. O reflexo direto disso Ă© a expansĂŁo da criminalidade no campo de batalha global.
Atualmente, a lista de acompanhamento da ONU inclui 77 intervenientes armados estatais e nĂŁo estatais implicados em padrĂ”es de violĂȘncia sexual em conflitos. Mais de 65% desses atores sĂŁo reincidentes, que continuam violando os direitos humanos sob a sombra da impunidade.




