STF tem maioria para reconhecer racismo estrutural no paĆ­s


O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria de votos nesta quinta-feira (27) para reconhecer a existência do racismo estrutural no país e determinar a criação de um plano nacional de enfrentamento à questão no prazo de 12 meses. 

Apesar do entendimento, o julgamento foi suspenso e serÔ retomado em uma data que ainda serÔ agendada. Na ocasião, os ministros vão definir as diretrizes que vão nortear a elaboração do plano. 

O debate estÔ travado na questão sobre o reconhecimento do chamado estado de coisas inconstitucional. Parte dos ministros entende que algumas medidas jÔ foram tomadas nos últimos anos para combater o racismo e não hÔ omissão do atual governo. Não hÔ consenso sobre esse ponto, e o placar estÔ 5 votos a 3 contra o reconhecimento. 

O Supremo julga a ação na qual a CoalizĆ£o Negra por Direitos, entidade que reĆŗne representantes do movimento negro, e sete partidos polĆ­ticos (PT, PSOL, PSB, PCdoB, Rede , PDT e PV) pedem reconhecimento do “estado de coisas inconstitucional” em relação ao racismo estrutural no paĆ­s.

Os processos foram protocolados no Supremo em maio de 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Votos

A votação começou na sessão de ontem, quando o relator, ministro Luiz Fux, votou a favor do reconhecimento do estado de coisas inconstitucional e para determinar a adoção do plano nacional. Em seguida, FlÔvio Dino acompanhou o relator.

Na sessão de hoje, novos votos foram proferidos. O ministro Cristiano Zanin disse que hÔ um cenÔrio de desigualdade racial no Brasil e de graves violações contra os direitos fundamentais.

“A compreensĆ£o do racismo estrutural, como fruto da construção do estado brasileiro, explica o próprio cenĆ”rio de extrema desigualdade racial existente no Brasil”, afirmou.

FlÔvio Dino disse que hÔ uma transgressão prolongada do racismo estrutural ao longo da história do país.

“Em relação ao racismo, a gente pode pegar de 1500, qualquer marco temporal, e nós vamos encontrar a transgressĆ£o mais prolongada da história brasileira”, comentou.

A ministra CÔrmen Lúcia disse que hÔ insuficiente proteção do Estado à população negra.

“Eu nĆ£o espero viver em um paĆ­s em que a Constituição para o branco seja plena e para o negro seja quase. Quero uma Constituição que seja plena, igualmente para todas as pessoas”, disse.Ā 

Alexandre de Moraes destacou que o combate ao racismo estrutural não é somente uma questão jurídica.

“O racismo estrutural existe, permanece, Ć© uma chaga na sociedade, em que pese estarmos finalizando um quarto do sĆ©culo 21”, completou.

O ministro André Mendonça também reconheceu que o racismo estÔ presente na sociedade, contudo não concordou com a utilização do termo racismo institucional.

“Eu tenho dificuldade com o conceito de racismo institucional. Eu nĆ£o posso partir do pressuposto de que as instituiƧƵes pĆŗblicas em si sejam racistas.Ā  Acho que pessoas dentro das instituiƧƵes sĆ£o racistas, mas nĆ£o as instituiƧƵes”, argumentou.

Governo

Em nota divulgada à imprensa, a Advocacia-Geral da União (AGU) informou nesta quarta-feira (26) que estÔ comprometida com a adoção do plano.

“O governo federal, por meio do MinistĆ©rio da Igualdade Racial, manterĆ” seu protagonismo na coordenação do processo, articulando a participação da sociedade civil — especialmente do Movimento Negro — e dos demais entes federativos, de modo a construir diretrizes que tornem o plano nacional efetivo, colaborativo e viĆ”vel em todo o território nacionalā€, disse a AGU.Ā 



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