TCU suspende exigĂȘncia de governo buscar centro da meta fiscal em 2025


Em uma decisĂŁo que traz alĂ­vio ao governo, o Tribunal de Contas da UniĂŁo (TCU) aceitou nesta quarta-feira (15) recurso da Advocacia-Geral da UniĂŁo (AGU) e suspendeu a exigĂȘncia de que o governo federal busque o centro da meta fiscal, dĂ©ficit zero para 2025.

A medida, tomada de forma monocråtica pelo ministro Benjamin Zymler, representa uma vitória expressiva para o Executivo, ao afastar, ao menos por ora, o risco de um bloqueio adicional de até R$ 31 bilhÔes no Orçamento deste ano.

Em setembro, os ministros do TCU haviam emitido um alerta de que o governo que deveria perseguir o resultado central da meta de resultado primĂĄrio, considerado um sinal de compromisso com a responsabilidade fiscal.

A  AGU, no entanto, argumentou que a interpretação mais adequada da norma seria o cumprimento dentro da banda de tolerñncia — que admite variação de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) para cima ou para baixo.

Na pråtica, isso permite à União trabalhar com o limite inferior da meta, um déficit de até R$ 31 bilhÔes.

“Grave risco” Ă s polĂ­ticas pĂșblicas

Ao acolher o recurso, Zymler justificou sua decisĂŁo pela “impossibilidade prĂĄtica” de impor novo contingenciamento neste ano e pelo “grave risco” que um bloqueio adicional do Orçamento representaria para a execução de polĂ­ticas pĂșblicas essenciais. O ministro destacou ainda que o tema envolve “matĂ©ria inĂ©dita e complexa”, com divergĂȘncias de entendimento tĂ©cnico tanto dentro do Executivo quanto no prĂłprio tribunal.

Na prĂĄtica, a decisĂŁo de Zymler permite que o governo mire um dĂ©ficit primĂĄrio de R$ 31 bilhĂ”es no Orçamento de 2025. O governo sustentou que a imposição do TCU comprometeria o funcionamento da mĂĄquina pĂșblica e paralisaria programas estratĂ©gicos, sobretudo em ĂĄreas sociais e de investimento.

O relator acatou o argumento e concedeu efeito suspensivo até o julgamento definitivo do caso pelo plenårio do tribunal.

Questionamentos sobre arcabouço

A decisão alivia de forma imediata a pressão sobre as contas federais e assegura maior previsibilidade à execução orçamentåria de 2025. No entanto, diversos economistas alertam para os efeitos simbólicos da medida sobre a credibilidade das metas estabelecidas pelo arcabouço fiscal.

A controvĂ©rsia traz o debate sobre a definição de qual seria o “alvo” correto da polĂ­tica fiscal: o centro da meta, como defendia o TCU, ou o intervalo de tolerĂąncia previsto em lei, como sustenta o governo.

A decisão de Zymler, ao dar razão à AGU, sinaliza uma mudança de entendimento que favorece a interpretação mais ampla e pragmåtica da regra.

O governo alega que o pacote de corte de gastos aprovado pelo Congresso no fim do ano passado acabou com o “dever de execução” do Orçamento, permitindo que o governo mirasse qualquer valor dentro da banda de tolerñncia do arcabouço fiscal.

Ainda que temporåria, a medida tem implicaçÔes políticas relevantes sobre o marco fiscal do governo. Ela ocorre em meio às negociaçÔes da Lei de Diretrizes Orçamentårias (LDO) e ao esforço do governo em manter a execução de programas prioritårios sem novos cortes.

No Congresso e no TCU, porém, o debate sobre a necessidade de preservar a disciplina fiscal continuarå em 2026.

A decisão de Zymler vale até o julgamento definitivo do caso pelo Plenårio do TCU, previsto para 2026. O tribunal pode determinar a perseguição do centro da meta para o próximo ano, estipulada em superåvit primårio de R$ 34,3 bilhÔes.

Caso continue a permitir à equipe econÎmica mirar o piso da meta, o governo poderå terminar o próximo ano com déficit zero, dentro da margem de tolerùncia de 0,25% do PIB.



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