A UniĂŁo pagou R$ 1,05 bilhĂŁo em dĂvidas atrasadas de estados e municĂpios em novembro, segundo o RelatĂłrio de Garantias Honradas pela UniĂŁo em Operações de CrĂ©dito e Recuperação de Contragarantias, divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Tesouro Nacional.

No acumulado do ano, já sĂŁo R$ 9,59 bilhões de dĂ©bitos honrados de entes federados. Em 2024, o valor chegou a R$ 11,45 bilhões de dĂvidas garantidas pela UniĂŁo.
Do total pago no mĂŞs passado, R$ 704,81 milhões sĂŁo dĂ©bitos nĂŁo quitados pelo estado do Rio de Janeiro; R$ 227,80 milhões do Rio Grande do Sul; R$ 75,32 milhões de Goiás; R$ 35,66 milhões de Minas Gerais; R$ 9,64 milhões do municĂpio de Parauapebas (PA); R$ 116,15 mil de ParanĂŁ (TO); e R$ 76,47 mil de SantanĂłpolis (BA).
Desde 2016, a UniĂŁo pagou R$ 85,04 bilhões em dĂvidas garantidas. AlĂ©m do relatĂłrio mensal, o Tesouro Nacional disponibiliza os dados no Painel de Garantias Honradas.
As garantias representam os ativos oferecidos pela UniĂŁo – representada pelo Tesouro Nacional – para cobrir eventuais calotes em emprĂ©stimos e financiamentos dos estados, municĂpios e outras entidades com bancos nacionais ou instituições estrangeiras, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Como garantidora das operações, a UniĂŁo Ă© comunicada pelos credores de que nĂŁo houve a quitação de determinada parcela do contrato.
Recuperação de garantias
Caso o ente não cumpra suas obrigações no prazo estipulado, o Tesouro compensa os calotes, mas desconta o valor coberto de repasses federais ordinários – como receitas dos fundos de participação e compartilhamento de impostos, além de impedir novos financiamentos. Sobre as obrigações em atraso incidem ainda juros, mora e outros encargos previstos nos contratos de empréstimo, também pagos pela União.
Há casos, entretanto, de bloqueio na execução das contragarantias pela adoção de regimes de recuperação fiscal, por meio de decisões judiciais que suspenderam a execução ou por legislações de compensação das dĂvidas. Dos R$ 85,04 bilhões honrados pela UniĂŁo, cerca de R$ 77,46 bilhões se enquadram nessas situações.
Desde 2016, a UniĂŁo recuperou R$ 5,9 bilhões em contragarantias. Os maiores valores sĂŁo referentes a dĂvidas pagas pelos estados do Rio de Janeiro (R$ 2,77 bilhões) e de Minas Gerais (R$ 1,45 bilhĂŁo), alĂ©m de outros estados e municĂpios. Em 2025, a UniĂŁo já recuperou R$ 247,47 milhões em contragarantias.
Propag
De 15 de abril atĂ© 31 de dezembro deste ano, os estados podem aderir ao Programa de Pleno Pagamento da DĂvida dos Estados (Propag). O programa prevĂŞ uma sĂ©rie de condições, como venda de ativos Ă UniĂŁo e um plano de corte de gastos para a liberação de atĂ© R$ 20 bilhões em investimentos pelos estados.
O Propag prevĂŞ descontos nos juros e parcelamento do saldo das dĂvidas estaduais em atĂ© 30 anos. Em troca, os estados que aderirem vĂŁo aportar recursos para o Fundo de Equalização Federativa (FEF), que distribuirá dinheiro para todos os estados que aderirem, mesmo os que nĂŁo tiverem dĂ©bitos com a UniĂŁo, para investimento em educação, segurança pĂşblica, saneamento, habitação, transportes e outras áreas.
Desde o fim de abril, sete estados aderiram ao Progag: Minas Gerais, Goiás, Tocantins, PiauĂ, Ceará, Alagoas e Sergipe. ApĂłs o Congresso Nacional derrubar os vetos da PresidĂŞncia da RepĂşblica ao Propag, no fim de novembro, há a expectativa de que mais estados entrem no programa.
Rio Grande do Sul
Por causa das enchentes no Rio Grande do Sul, no ano passado, a UniĂŁo suspendeu o pagamento da dĂvida do estado por 36 meses. AlĂ©m disso, os juros que corrigem a dĂvida anualmente, em torno de 4% ao ano mais a inflação, serĂŁo perdoados pelo mesmo perĂodo. O estoque da dĂvida do estado com a UniĂŁo está em cerca de R$ 100 bilhões atualmente e, com a suspensĂŁo das parcelas, o estado dispõe de R$ 11 bilhões a serem utilizados em ações de reconstrução.
Em junho de 2022, o Rio Grande do Sul tinha fechado acordo com a UniĂŁo e teve o plano de recuperação fiscal homologado. O plano permite que o estado volte a pagar, de forma escalonada, a dĂvida da UniĂŁo, cujo pagamento estava suspenso por liminar do Supremo Tribunal Federal desde julho de 2017. Em troca, o governo gaĂşcho deverá executar um programa de ajuste fiscal que prevĂŞ desestatizações e reformas para reduzir os gastos locais.
*Colaborou Wellton Máximo/Atualizada às 16h20 para acréscimo de informações




